9 - Experimentando o Dia da Expiação

O Novo Testamento, principalmente os escritos de João, mostra claramente que Cristo é o Cordeiro de Deus que TIRA o pecado do mundo (João 1:29). O tirar o pecado do mundo veio por intermédio da expiação de Cristo. Remoção ou expiação são palavras sinônimas.

A primeira epístola de João enfatiza este assunto da Expiação. 1 João 3:5 – “... ele se manifestou para tirar os pecados...”1:7 – “... e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado...”; e 2:2, que ainda mais incisiva e exatamente declara o que tratamos aqui: “... e Jesus Cristo é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro”. João enfatiza a remoção da infecção causada pelo pecado, a fim de que os remidos possam ter comunhão com um Deus santo, porque “Deus é luz e não há nele trevas nenhuma”;1:5b. Todos os que têm a esperança de viver na presença do Senhor devem se purificar, 3:2-6. Nossa comunhão e unidade com o Pai (nós nEle e Ele em nós) está baseada nesta purificação e remoção do pecado. Nossa comunhão, uns com os outros, também depende de andarmos nesta luz e sem pecado, 1:7.

 

Para você compreender melhor o significado de Cristo como o Cordeiro de Deus que fez expiação por nossos pecados, você deve buscar entender algumas verdades “escondidas” no Antigo Testamento, especialmente sobre o Dia da Expiação, celebrado durante a Festa dos Tabernáculos.

Você sabia que durante o período da segunda quinzena de setembro até a primeira quinzena de outubro - de nosso calendário - é o período para se celebrar a Festa dos Tabernáculos? Esta Festa incorpora duas outras dentro dela: a Festa das Trombetas e o Dia da Expiação. Estas duas são preparatórias para o grande dia da Festa dos Tabernáculos.

"Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas..." (Hebreus 10:1a). O livro de Hebreus explica claramente que o sacerdócio do Antigo Testamento ministrava os sacrifícios em FIGURA e SOMBRA das coisas espirituais (Hebreus 8:5). São estas verdades e vivências espirituais que estamos buscando compreender e viver.

Embora observemos a Festa das Trombetas, o Dia da Expiação e a Festa dos Tabernáculos, nós não guardamos estas Festas seguindo os rituais do Antigo TestamentoElas são acontecimentos; são experiências reais. São sinais de uma abertura dispensacional. Elas são uma porta aberta para uma nova etapa do que Deus está trazendo para nós. Queremos compreender um pouco da mente de Cristo nesta mensagem sobre o Dia da Expiação.

COMO DEVERIA SER FEITA A EXPIAÇÃO?

O Dia da Expiação nos tempos do Antigo Testamento era para trazer limpeza e purificação absoluta para toda a nação de Israel. O ritual da expiação não era somente pelo pecado; também incluía o altar e a arca da aliança. O sumo sacerdote fazia expiação por tudo no Tabernáculo. Isto era para trazer uma purificação para tudo que os israelitas faziam, para que não se degenerassem aos poucos se tornando um povo que cria em algo que não praticava. Eles tinham que fazer todo esforço para entrar na provisão de Deus com todo seu coração. Este era o propósito por trás do Dia da Expiação.

Como é que a expiação devia ser feita? Levíticos capítulo 16 dá as instruções:“Então disse o Senhor a Moisés: dize a Arão, teu irmão, que não entre no santuário em todo tempo, para dentro do véu, diante do propiciatório que está sobre a arca, para que não morra; porque aparecerei na nuvem sobre o propiciatório. Entrará Arão no santuário com istoum novilho para oferta pelo pecado, e um carneiro para holocausto. Arão trará o novilho da sua oferta pelo pecado, e fará expiação por si e pela sua casa” (por todos os sacerdotes). “Também tomará ambos os bodes, e os porá perante o Senhor à porta da tenda da congregação. Lançará sortes sobre os dois bodes: uma para o Senhor, e a outra para o bode emissário” (Bode emissário ou bode expiatório tem um significado diferente hoje. Nestas Escrituras, no entanto, ele significa o bode da remoção – AZAZEL). “Arão fará chegar o bode, sobre o qual cair a sorte para o Senhor, e o oferecerá por oferta pelo pecado. Mas o bode sobre o qual cair a sorte para bode emissário será apresentado vivo perante o Senhor para fazer expiação por meio dele e envia-lo ao deserto” (daí a palavra “emissário”, porque era enviado ao deserto) “como bode emissário”Levíticos 16:2, 3, 6-10.

UMA REMOÇÃO COMPLETA NO DIA DA EXPIAÇÃO

A remoção do pecado no Dia da Expiação era diferente da que aconteceu durante a Páscoa. Na primeira Páscoa, Êxodo capítulo 12, o cordeiro foi morto e o sangue colocado sobre a porta para que o julgamento passasse por cima. Então o povo comeu o cordeiro assado para receber força interna, e ficou com o cajado na mão pronto a deixar a terra da escravidão. Este foi o INÍCIO do ciclo das Festas Bíblicas que falam de experiências espirituais.

Cristo foi crucificado durante a Festa da Páscoa (João 13:1). Cinqüenta dias depois da Sua crucificação, na Festa de Pentecostes (daí a palavra Pentecostes –penta, que significa cinqüenta dias após a Páscoa), ou a Festa das Semanas, quando a colheita das primícias era oferecida, o Espírito Santo desceu (Atos 2:1-4). O dia de Pentecostes iniciou na terra o surgimento daquilo pelo qual Cristo havia morrido. Na Festa da Páscoa, Cristo morreu para trazer a experiência da nossa salvação. Depois, na Festa de Pentecostes, veio a experiência com o Espírito Santo. Tabernáculos representava o tempo em que os israelitas estiveram no deserto, quando a glória de Deus pousava sobre o Tabernáculo central enquanto as tribos de Israel acampavam ao seu redor. Isto representava a presença de Deus entre eles (Deus conosco, o Emanuel). “Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles”. (Apocalipse 21:3).

No Dia da Expiação, a expiação tinha que ser feita primeiro pelo sumo sacerdote, depois pelos outros sacerdotes, pelo santuário, pela tenda da congregação, pelo altar e pelo povo. Tudo e todos eram incluídos. Isto tem um significado simbólico para nós hoje. Até que Deus tenha nos sondado completamente, não estaremos prontos para a glória da experiência dos Tabernáculos. Nós não conhecemos a maravilha da Sua presença, a Parúsia, entre nós a não ser que primeiro experimentemos a obra purificadora da expiação. Lemos em 1 João 3:2, 3: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar” (Parúsia de Cristo)“, seremos semelhantes a ele, porque havemos de vê-lo como ele é. E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro”

PURIFICAÇÃO É DIFERENTE DE SALVAÇÃO

Purificação é diferente de salvação inicial. São duas experiências distintas. O anjo disse a José: “E lhes porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles”. (Mateus 1:21). Isso se refere à salvação, mas haveria mais do que somente o perdão de pecados. Quando João, o Batista, estava pregando, ele viu Jesus descendo ao rio Jordão e clamou dizendo: “Eis o cordeiro de Deus que TIRA O PECADO DO MUNDO”. (João 1:29). Isto se refere ao ministério de REMOÇÃO. O Senhor nos separa dos nossos pecados tanto quanto o leste do oeste. Nós precisamos não somente ser perdoados dos pecados, como também prosseguir até que a natureza de pecado seja completamente removida. Paulo disse: “Porque, no tocante ao homem interior (o espírito), tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente (espiritual, a vontade do espírito), me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:22-24). Ele sentia que a carne tinha algo que precisava ser retirado ou REMOVIDO.

Precisa vir o tempo em que Cristo nos salve totalmente, completamente: “O mesmo Deus da paz vos santifique EM TUDO; e o vosso espírito, alma e corpo, sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda” (no grego temos a palavraPARÚSIA) “de nosso Senhor Jesus Cristo”. (1 Tessalonicenses 5:23). Assim como experimentamos a salvação original, pela fé, devemos nos ajoelhar mais uma vez perante o Senhor e clamar: “Salva-me, Senhor! Salva-me da natureza pecaminosa, do corpo de pecado”. Algumas pessoas podem pensar que o cristão que fizer isso estará agindo como um pagão porque ele já foi salvo em Cristo. Mas o termo “SALVO ou SALVAÇÃO” pode ser mal interpretado. Todos nós conhecemos pessoas que dizem que já foram salvas, no entanto vemos coisas nas suas vidas das quais elas não foram salvas (ou libertas). Atos 2:47, no original grego preciso, diz que o Senhor acrescentava à Igreja diariamente aqueles que iam sendo salvos. No instante em que você aceitou a Cristo como seu Salvador, você morreu para o pecado e foi salvo, num sentido; mas você não foi salvo (ou liberto) totalmente. Você foi salvo, você está sendo salvo (ou santificado), mas ainda há muito mais a ser salvo. Você foi liberto, você está sendo liberto, e você ainda será liberto. Qualquer coisa que Deus começa na sua vida deve expandir-se até que seja total e perfeita. Quando Deus olha o produto final, Ele deve poder dizer: “Eis que está muito bom”. Ao se olhar no espelho, você pode dizer que você está muito bom? Ou você sente que precisa voltar para mais um banho na fonte da purificação, porque ainda falta algo?

Depois que Arão orava e sacrificava o novilho como redenção dos seus próprios pecados e dos da sua casa, ele sacrificava o primeiro bode para santificar o povo. Este sacrifício era dado ao Senhor para que houvesse acesso ao lugar santo e uma certeza de que havia a presença do Senhor sobre a arca da aliança durante aquele ano. O povo saberia que Deus estava habitando no seu meio. Depois Arão confessava os pecados de todos sobre o segundo bode, o bode emissário. Todos os tipos de pecados eram confessados sobre este bode da remoção. Pecados que foram cometidos não intencionalmente eram incluídos, assim como as coisas pelas quais eles davam desculpas. Não havia nenhuma folga para qualquer coisa errada; tudo era sondado e colocado sobre a cabeça do bode, que era então enviado ao deserto. A oferta dos dois bodes simboliza o duplo ministério de Cristo que sofreu pelos pecados como também os remove quando nós os confessamos.

O HOMEM QUE QUER SER PERFEITO BUSCA A PERFEIÇÃO

“... o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo ...” (Colossenses 1:28).

O homem que quer ser perfeito busca a perfeição. Deus chamou Jó um homem perfeito. Ele era perfeito perante o Senhor em todos os seus caminhos. O que é que ele fazia? Ele sacrificava por seus filhos caso eles tivessem amaldiçoado a Deus nos seus corações. Mesmo quando ele não tinha nada mais para expiar por si mesmo, ele ficava orando pelos filhos.

O DIA DA EXPIAÇÃO É O TEMPO DE VERMOS REMOVIDOS
TODOS OS PECADOS DA CASA DE DEUS

As inquietações dos israelitas eram confessadas sobre o bode emissário e carregadas para um lugar desolado no deserto. Assim sendo, todos seus pecados eram removidos. Neste dia, nós também precisamos ver a remoção do pecado da casa de Deus. Esta é a hora para isto. Deus quis mais do que uma meia experiência para nós. Quando Ele resolveu nos redimir, Ele não quis que houvesse sempre guerra entre as duas naturezas: “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que porventura seja do vosso querer”. (Gálatas 5:17). Ele proporcionou que fossemos participantes da natureza divina, tendo escapado da corrupção e paixões que estão no mundo pelas concupiscências que são parte da natureza pecaminosa (2 Pedro 1:4).

Nós queremos ser liberados de tudo que está errado, de tudo que possa reagir de uma maneira errada. Nada disto pode ficar em nós. Nós queremos andar com Deus com tudo limpo e certo: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus”. (Mateus 5:8). Isso não será feito pela força de vontade, mas pela expiação enquanto confessamos e colocamos nossas transgressões sobre Cristo. Ele é o Cordeiro de Deus que TIRA o pecado do mundo.

Enfrente a coisa que precisa ser feita na sua vida. Ao relacionar-se com o Dia da Expiação, creia que a expiação pode tornar-se uma experiência na sua vida, assim como as Festas da Páscoa e Pentecostes tem sido experiências para muitas pessoas por séculos. Agora é o tempo para o desdobrar de uma experiência expiatória de purificação para todos.

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