31. A Festa dos Tabernáculos

Dentre as festas religiosas judaicas, uma das mais importantes era a Festa dos Tabernáculos. Ela era comemorada no sétimo mês do calendário judaico, o mês de Etanim ou Tisri. A estação festiva que acontecia no sétimo mês abrangia a Festa das Trombetas, o Dia da Purificação e a Festa dos Tabernáculos propriamente dita. Mais exatamente, esta última festa ocorria durante sete dias, a partir do dia 15 do mês sétimo.

É bom estudarmos as menções que a Bíblia faz à Festa dos Tabernáculos. Comecemos em Êxodo 23.14-17, onde se mencionam as três ocasiões festivas de Israel. No versículo 16 é desta forma que se menciona a Festa dos Tabernáculos:

Guardarás . . .

. . a festa da colheita, à saída do ano, quando recolheres do campo o fruto do teu trabalho.

Em Deuteronomio 16.13-17 Moisés repete esta recomendação, ordenando logo de início:

A festa dos tabernáculos celebrar-la-ás por sete dias, quando houveres recolhido da tua eira e do teu lugar.

Portanto, destas duas menções, em Êxodo 23.16 e em Deuteronomio 16.13,16, depreendemos que a Festa tinha dois nomes:. dos tabernáculos e da colheita.

Este último nome foi-lhe dado em decorrência da época em que ela era comemorada: logo depois da colheita dos cereais e das uvas, como vimos na menção à Festa em Êxodo, transcrita acima. 0 primeiro nome foi-lhe dado devido à ordem de Deus constante do texto de Levítico 23.33-44, especialmente o versículo 40:

No primeiro dia tomareis para vós outros fruto de árvores formosas, ramos de palmeiras, ramos de árvores frondosas, e salgueiros de ribeiras; e, por sete dias, vos alegrareis perante o Senhor vosso Deus.

Os versículos 42 e 43 explicam melhor o que eles faziam com esses ramos

Sete dias habitarás em tendas de ramos; todos os naturais em Israel habitarão em tendas, para que saibam as vossas gerações que eu fiz habitar os filhos de Israel em tendas, quando os tirei da terra do Egito: Eu sou o Senhor vosso Deus.

Os livros de Esdras e Neemias narram os acontecimentos de uma fase importante da história de Israel, quando os judeus voltaram da Babilônia e restauraram a cidade de Jerusalém. Esta fase é chamada de "restauração". Figuradamente, ela simboliza a restauração que a Igreja de Cristo está experimentando em nossos dias, em sentido espiritual. Vemos em Esdras 5.19-22 que os judeus celebraram a Páscoa. .Mas em Neemias 8 lemos que o povo de Deus comemorou a Festa dos Tabernáculos. No início do mês (v. 1) o espírito festivo se caracterizou pela leitura da Palavra de Deus (Festa das Trombetas). Contudo, enquanto liam as Escrituras, encontraram a ordem para celebrarem a Festa dos Tabernáculos naquele mês. Diz o versículo 14:

Acharam escrito na lei que o Senhor ordenara, por intermédio de Moisés, que os filhos de Israel habitassem em cabanas, durante a festa do sétimo mês.

Portanto, obedecendo à lei, todo o povo subiu ao monte, cortou ramos de árvores, trouxe para casa e construiu cabanas - nos terraços, pátios, nos átrios da casa de Deus e até nas praças públicas. E Neemias encerra o relato com uma observação: e houve mui grande alegria (Leia também Esdras 3.4)

A Festa dos Tabernáculos também é mencionada com destaque em Zacarias, que juntamente com Ageu, é um dos profetas dessa época de restauração, cuja história é narrada por Esdras e Neemias. Em Zacarias 14 encontramos a menção da Festa dos Tabernáculos sendo comemorada na época da volta de Jesus, pois no versículo 4 está escrito: Naquele dia estarão os seus pés sobre o Monte das Oliveiras. Nos versículos 16 a 21 o assunto é a Festa dos Tabernáculos sendo comemorada durante o reinado de Jesus sobre a terra. Diz o versículo 16:

Todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém, subirão de ano em ano para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, e para celebrar a festa dos tabernáculos.

Os versículos 18 e 19 tomam a mencionar a Festa, dando assim a medida da importância que essa Festa terá durante o Reino do Messias.

É importante mencionar um fato que passa despercebido a olhos menos atentos: o templo de Salomão, a construção mais gloriosa jamais edificada em Israel, foi inaugurada durante a Festa dos Tabernáculos. Assim como o tabernáculo de Moisés e o tabernáculo de Davi, o templo de Salomão também tem um significado. espiritual, e é figura e sombra da casa espiritual de Deus (I Timóteo 3.15; Hebreus 3.6). Pois bem: Em I Reis 8.2 e II Crônicas 5.3 lemos:

Todos os homens de Israel se congregaram junto ao rei Salomão na ocasião da festa, no mês de etanim, que é o sétimo.

Leia também I Reis 8.65.

E foi então, quando eles inauguraram o templo, que teve lugar um dos episódios mais gloriosos da história de Israel. Os versículos 10 e 11 de I Reis 8 dizem:

Tendo os sacerdotes saído do santuário, uma nuvem encheu a casa do Senhor, de tal sorte que os sacerdotes não puderam permanecer ali, para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória de Deus enchera a casa do Senhor.

Em II Crônicas 5.11-14 se menciona que eram cento e vinte os sacerdotes que tocaram em uníssono as suas trombetas. Por analogia, este fato nos faz lembrar que foram cento e vinte os que "tocaram a sua trombeta" também, por ocasião da inauguração do templo de Deus no Novo Testamento. Em Atos 1.15 encontramos a menção de que eram cerca de cento e vinte os discípulos que se reuniram no cenáculo, e que conforme Atos 2.1-4, no dia de Pentecostes receberam o Espírito Santo. Com Deus não há coincidências.

É importante notar que na inauguração do tabernáculo de Moisés, conforme Êxodo 40.34-35, a nuvem da glória de Deus também encheu a casa do Senhor.

A última menção à Festa dos Tabernáculos na Bíblia, que desejamos comentar agora, encontra-se em João 7. Logo no versículo 2 encontramos as seguintes palavras:

Ora, a festa dos judeus, chamada dos tabernáculos, estava próxima

O versículo 10 diz que depois que seus irmãos (sua família) subiram para a festa, Jesus também subiu, mas em oculto, quando a festa já estava no meio (v. 14). E foi já no fim dessa festa, conforme lemos nos versículos 37 e 38, que Jesus fez uma das mais belas proclamações de todo o seu ministério:.

No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.

SIGNIFICADO ESPIRITUAL

De todas estas menções à Festa dos Tabernáculos, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, queremos agora extrair as figuras e sombras que nos darão o significado espiritual da Festa para os nossos dias, mais especificamente, para a Igreja de Cristo no século XX.

COLHEITA. Esta é a Festa da Colheita. É a última das Festas judaicas, no ano litúrgico. É a sétima Festa no sétimo mês. A colheita simboliza o coroamento de muitos esforços, de uma série de atividades. Em Mateus 13.39 lemos que a ceifa é a consumação do século. Outra tradução diz: "a colheita é a terminação dum sistema de coisas". (Trad. Novo Mundo). A Bíblia Viva (no rodapé): "o fim desta era". É a época em que a semente da Palavra, que espalhou-se por todo o mundo, será colhida.

TABERNÁCULOS. Os sete dias da festa eram sete dias de mudança. Os israelitas saiam de suas casas, e habitavam em tenda. Tabernáculos, para nós, deve ser um período em que quebramos as rotinas em que vivemos, e entramos em algo novo em Deus. Esta deve ser uma experiência pela qual todos os filhos de Deus devem passar, nesta era. Procure quebrar as rotinas, os condicionamentos mentais, as tradições, e entrar em algo novo em Deus (Isaías 43.18,19; Apocalipse 21.5).

CABANAS. A comemoração da Festa nos dias da restauração de Jerusalém, como é narrada por Neemias, prefigura uma verdade espiritual: Deus habitou numa cabana de carne, no corpo de Seu Filho Jesus Cristo. E agora, novamente, Ele quer habitarem um tabernáculo de carne, mais uma vez no Corpo de Cristo, que é a igreja. A cabana construída durante a Festa prefigura essa cabana, em que nós somos os ramos (João 15), unidos pelos laços do amor, formando um único tabernáculo ou santuário (I Coríntios 3.16) que serve de habitação para a Pessoa de Deus, que desta forma o enche com a Sua glória.

A GLÓRIA. Essa manifestação da glória de Deus por ocasião da comemoração da Festa é claramente prefigurada na inauguração do templo de Salomão, como vimos acima. Esta é a época em que Deus quer mais uma vez encher de glória a Sua casa, como encheu durante o período da igreja primitiva (Atos 4.31). Aliás, são claras as menções de que a glória desta última casa será maior do que a da primeira (Ageu 2.6-9;11 Coríntios 3.7-18; Efésios 5.27). Fato paralelo acontecia quando o Sumo Sacerdote entrava no Santo dos Santos. Ali, a luz que brilhava, era a glória da própria Presença de Deus.

A FESTA NO REINO. Zacarias 14.16-21 nos revela que a Festa dos Tabernáculos será comemorada em nossos dias e nos futuros, quando o Senhor voltar a esta terra.

JESUS NA FESTA. João 7, se o quisermos interpretar figuradamente e profeticamente, pode nos dar a entender que "no meio" da comemoração da Festa dos Tabernáculos, Jesus se manifestará aos Seus. Todas as figuras examinadas nas Escrituras até agora confirmam este fato.

0 NASCIMENTO DE JESUS. E finalmente, como vimos em outra oportunidade, podemos e devemos transferir a comemoração do nascimento de Jesus para a época de Tabernáculos. Em Neemias 8 encontramos algumas citações que nos podem inspirar a comemorar condignamente o nascimento do Salvador durante a Festa dos Tabernáculos:

CABANAS. A construção de uma cabana ou de cabanas pode simbolizar (especialmente para as crianças) o fato do nascimento de Jesus, e também pode ser ligada a um presépio, em que se mostre o ambiente bucólico em que Jesus nasceu.

LEITURA DA PALAVRA. A leitura das Escrituras, como foi feita na época de Neemias, especialmente da narrativa do nascimento de Jesus por Mateus e Lucas, pode dar à Festa dos Tabernáculos a cor, o sabor e o aspecto festivo que desejamos que ela tenha.

PRESENTES. Neemias 8.10 recomenda que o povo de Deus dê presentes durante a Festa, mas não a pessoas da família, amigos mais íntimos, clientes e fornecedores, mas

Enviai porções aos que não têm nada preparado para si.

Estas são as pessoas que devem receber os nossos presentes durante a comemoração do nascimento do Grande Presente de Deus, na Festa dos Tabernáculos. Devemos dar presentes materiais para os pobres, e "presentes espirituais", a Palavra, as orações, a atmosfera alegre da Festa, para os "necessitados espiritualmente".

COMIDA E BEBIDA. Ainda em Neemias 8.10 encontramos a ordem para o povo "comer carnes gordas e tomar bebidas doces". Tabernáculos deve ser uma Festa de alegria, e por isso deve incluir banquetes de Amor, como os cristãos primitivos tinham os seus ágapes ou "festas de fraternidade" (Judas 12).

ASSEMBLÉIAS SOLENES. Esta deve ser uma época de "santas convocações", em que o povo de Deus se reuna para louvá-lO, ler e estudar a Sua Palavra (Neemias 8.8), e gozar da Sua Presença. (Neemias 8.18).

0 que expusemos acima tem o objetivo de orientar as pessoas que desejam comemorar a Festa dos Tabernáculos como data do nascimento do Senhor Jesus. Contudo, creio estar sobejamente esclarecido que a Festa. não deve ser apenas uma comemoração uma vez por ano, mas uma experiência espiritual, tanto quanto a experiência da salvação ocorreu como concretização da Festa da Páscoa, e a experiência do "batismo com o Espírito Santo" ocorreu para os primeiros discípulos "ao cumprir-se o dia de Pentecostes".

0 fato de estarmos buscando esta experiência, todavia, não anula o valor da comemoração da Festa uma vez por ano. Os nossos leitores que desejarem observar a Festa exatamente na época em que os judeus o fazem, poderão aproveitar as datas que mencionamos abaixo. A nossa sugestão é que a Festa seja uma ocasião de muita alegria, de concentrações do povo de Deus, de exposição da Palavra e do que Deus está falando nos corações, e de grande expectativa da concretização da Festa dos Tabernáculos, com a manifestação da Glória de Deus, voltando à Sua Casa (Ezequiel 43.1-5), a experiência da Presença de Deus, no Santo dos Santos.

O motivo pelo qual dois dias são citados para a Festa das Trombetas e o Dia da Purificação, e oito dias para a Festa dos Tabernáculos, é que o dia, no calendário religioso judaico, vai de um por de sol até o por do sol do dia seguinte. (Veja Gênesis 1.5,8 etc.).

Enfim, desejamos que a Festa dos Tabernáculos seja uma verdadeira experiência para o povo de Deus nestes dias. Que todo o Corpo de Cristo entre nessa experiência, assim como um só corpo (o Sumo Sacerdote) entrava no Santo dos Santos no Dia da Purificação, segundo a liturgia da Festa do Israel do Antigo Testamento.

Claro que não temos a pretensão de imaginar que este livro esgote o assunto. Sem dúvida Deus mostrará aos Seus profetas muitas outras coisas a respeito da Festa dos Tabernáculos e do seu cumprimento, e nós todos, como um Corpo, teremos o prazer de participar dessas novas revelações. Contudo, com este livro o assunto está aberto no Brasil, e esperamos quebra o caminho para muitos outros livros, e muita revelação a respeito desta experiência que Deus tem reservado para os Seus neste fim dos tempos. Amém.

HINO

FESTA DOS TABERNÁCULOS

Moisés lá no deserto recebeu de Jeová

Precisas instruções para o seu povo celebrar

Os anos que passara alimentado por maná,

Bebendo água da rocha, com a nuvem a lhe guiar.

Neemias retornou da Babilônia p''''ra Sião,

E logo se empenhou Jerusalém a restaurar.

O Livro do Senhor achado é e faz menção

Que a Festa das Cabanas se devia celebrar.

A Igreja do Senhor da Babilônia está voltando;

A Chuva celestial, Serôdia, já se vê cair;

O Espírito de Deus está aos santos despertando

P''''ra a Festa da Colheita nestes dias se cumprir.

Saí ao monte, trazei ramagens,

Fazei cabanas para habitar:

Esta é a Festa dos Tabernáculos,

Quando o Senhor vem em nós morar.

A. A. O.

Extraído do Livro: Quando Jesus Nasceu?

Por: Adiel Almeida de Oliveira.
Autorizado por: Profa. Egenir Cacilda Pereira de Oliveira.

 

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