01. A Restauração das Festas Fixas

I) A LEI E AS REALIDADES ESPIRITUAIS

O Novo Testamento afirma que a Lei, descrita no Antigo Testamento, “tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas”Hb 10:1a. Os preceitos, ordenanças e as Festas fixas, são "sombra" de realidades espirituais, de vivências que o cristão precisa passar em seu caminhar com Deus. Precisamos, portanto, buscar a iluminação do Espírito Santo a fim de conhecermos, para vivermos, a essência das coisas descritas na Lei, dada por Jeová a Moisés.

“Ora, a primeira aliança também tinha preceitos de serviço sagrado, e o seu santuário terrestre... querendo com isto dar a entender o Espírito Santo que ainda o caminho do Santo Lugar não se manifestou, enquanto o primeiro tabernáculo continua erguido. É isto uma parábola para a época presente...” (Hb 9:1, 8, 9a).

Precisamos estudar as Festas fixas estabelecidas por Deus na Lei e buscar, pelo Espírito, o entendimento dos seus significados para a época presente. O que as Festas fixas representam para os cristãos de hoje? Vamos abrir as nossas mentes à revelação do Espírito, para compreendermos a realidade (essência) das coisas espirituais.

II) AS TRÊS FESTAS FIXAS

Três vezes no ano todo varão entre ti aparecerá perante o Senhor teu Deus, no lugar que escolher, na festa dos pães asmos, e na festa das semanas, e na festa dos tabernáculos; porém não aparecerá de mãos vazias perante o Senhor” (Dt 16:16).

Todos os anos o povo judaico comemorava a Festa da Páscoa, que relembra a época em que, na terra do Egito, era um povo escravo, e o anjo veio, desencadeando julgamento sobre o Egito, pela sua crueldade para com os israelitas; e aquele anjo passou sobre a terra, e em todos os lares o filho primogênito foi morto, exceto onde o sangue do cordeiro, sem mácula nem defeito, fora aspergido na porta. Por isso, a festa foi chamada Páscoa, que significa “passagem”. Era conjugada com a Festa dos Pães Asmos, que relembrava o fato deles terem deixado o Egito tão às pressas que não haviam tido tempo de por nenhum fermento no seu pão, e também, o fermento era símbolo de impureza, e eles deviam sair de lá “puros” para servir ao Senhor. Leia a passagem de Ex 12:12-20, quando foi comemorada a primeira Páscoa. E quando o molho era movido “no dia imediato ao sábado”, Lv 23:11, 12a - “Molho das Primícias”.

Cincoenta dias depois os filhos de Israel celebravam a Festa de Pentecoste, que também é chamada de “Dia das Primícias” e “Festa das Semanas” – por ser celebrada durante sete semanas (cf. Ex 23:16; 34:22a; Nm 28:26). Ela marcava o término da colheita do trigo, que tinha início quando a foice era lançada pela primeira vez na plantação - “primícias da sega do trigo”.

A terceira, e última, era a Festa dos Tabernáculos (ou Festa da Colheita  Ex 23:16b), que a princípio foi observada nos dias das jornadas de Israel no deserto. Começou quando os judeus viviam em cabanas ao redor do acampamento. Durante a Festa, cada tribo acampava em certa área e todos podiam ver, de noite, o fogo de Deus sobre eles. De dia era uma nuvem que os guiava. Eles foram instruídos para relembrar aqueles dias e comemorá-los todos os anos, vivendo outra vez sete dias em cabanas, significando a época em que Deus habitava no meio deles. Jesus também nasceu nessa época do ano. Era a época em que os pastores guardavam os seus rebanhos durante a noite, e o “anúncio angelical” veio.

Foi por intenção divina que os grandes acontecimentos proféticos e fundamentais para judeus e cristãos, acontecessem nos dias destas Festas. Na festa da Páscoa, Jesus Cristo foi crucificado. Assim, a Páscoa tem seu cumprimento em Cristo, porque Ele é o Cordeiro perfeito de Deus, o Cordeiro Pascal. João, o batista, disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1:29). O Seu sangue foi derramado na cruz para que possa ser colocado na porta de nosso coração, e o anjo do julgamento que pune o pecado “passe”, pois o Cordeiro de Deus é a nossa justiça e purificação.

A Festa de Pentecoste é representada pelo nascimento da Igreja, e da “Era da Igreja” sendo introduzida. No dia de Pentecoste o povo estava reunido quando o Espírito Santo veio sobre os discípulos: “Ao cumprir-se o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente veio do céu um som como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios doEspírito Santo, e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem” (At 2:1-4). O resultado do recebimento do Espírito Santo e o cumprimento da Festa de Pentecostes foi uma grande colheita, quando pela pregação ungida de Pedro, três mil pessoas se converteram a Jesus Cristo. Estes primeiros convertidos foram as primícias da Igreja. Pentecostes, foi, realmente, uma Festa da “sega dos primeiros frutos do trabalho” (Ex 23:16).

O nascimento de Cristo foi o cumprimento profético e histórico da Festa dos Tabernáculos, foi “Deus descendo e tabernaculando entre os homens”, por isso o menino deveria ser chamado de Emanuel, Deus tabernaculando conosco (cf. Mt 1:22, 23; Is 7:14). Deus, em Jesus Cristo, assumiu carne humana e habitou entre nós, “cheio de graça e de verdade”. Quando Ele viveu entre nós, estava tabernaculando em carne como a nossa. A Festa dos Tabernáculos tem significado real.

Profeticamente, a Festa dos Tabernáculos fala de coisas ainda maiores. Está registrado no Antigo Testamento que nos dias futuros, a única Festa requerida será a dos Tabernáculos. É a única Festa a ser observada na era porvir: “Todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém, subirão de ano em ano para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, e para celebrar a festa dos tabernáculos. Se alguma das famílias da terra não subir a Jerusalém, para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, não virá sobre ela a chuva. Se a família dos egípcios não subir, nem vier, não cairá sobre eles a chuva, virá a praga com que o Senhor ferirá as nações que não subirem a celebrar a festa dos tabernáculos.” (Zc 14:16-18).

A Festa dos Tabernáculos celebrava originalmente o fato de Israel ter vivido no deserto, e de Deus ter habitado no meio de Seu povo com uma glória que era visível dia e noite. Isto é profético e simboliza o fato de que Deus outra vez habitará no meio do seu povo com uma glória que será visível: “... quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram, naquele dia (porquanto foi crido entre vós o nosso testemunho)” (2 Ts 1:10). Isso significa que Cristo habitará plenamente no Seu povo, de forma que jamais foi experimentado antes – a divindade habitando dentro do tabernáculo humano!

III) AS FESTAS SÃO TRÊS OU SETE?

Levítico 23 contém a ordenança bíblica sobre as Festas fixas requeridas pelo Senhor. Ao ler atentamente este capítulo você notará que há três Festas principais, ou três períodos festivos no calendário anual do Israel antigo. São:

1º) Festa da Páscoa, também chamada Festa dos Pães Asmos.

2º) Festa das Semanas, também chamada Festa de Pentecoste.

3º) Festa dos Tabernáculos, também chamada Festa da Colheita.

Na verdade, as Festas da Páscoa e dos Tabernáculos subdividem-se em três, dando um total de SETE Festas. Portanto, as sete Festas são:

Páscoa, propriamente dita (Lv 23:4, 5)

PÁSCOA PÃES ASMOS (LV 23:6-8)

Molho das Primícias (Lv 23: 9-14)

PENTECOSTES(LV 23:15-22)

Festa das Trombetas (Lv 23:23-24)

TabernáculosDia da Expiação (Lv 23:26-32) 

FESTA DOS TABERNÁCULOS, PROPRIAMENTE DITA (LV 23:33-44)

IV) VIVENDO A ESSÊNCIA DAS FESTAS

As Festas fixas coincidiam com as estações agrícola do povo de Israel (veja tabela abaixo). Por isso, nestas festividades, os judeus não apenas reconheciam a Deus como o seu Provedor, mas também relembravam a ilimitada graça do Senhor para com um povo escolhido a quem libertara, por Sua intervenção pessoal, neste mundo.

O povo da Bíblia via a graça de Deus na farta colheita, e temia que Sua ira pudesse se manifestar na forma de escassez de alimento. Por conseguinte, a proximidade existente entre as épocas das colheitas e as festividades religiosas não era coincidência, mas oritmo espiritual do universo. Essa relação entre os propósitos de Deus e a produção de alimentos foi fundamental ao espírito de Israel. Nada do que acontecia na natureza era considerado casual ou acidental.

Páscoa: ocorria no início da primavera, tempo da colheita dacevadaCt 2:10-17, este trecho de Cantares era cantado na Festa da Páscoa. Os primeiros pães mencionados na Bíblia não incluíam lêvedo como ingrediente. Eram os pães ázimos (ou asmos). Quando quentes, assemelhavam-se às tortilhas mexicanas. Depois de frios adquiriam a textura quebradiça dos biscoitos. A farinha mais usada era a de cevada, o cereal mais cultivado na Terra Santa. A cevada produz mais grãos por hectare e necessita de menos água do que o trigo. Os pães que Jesus e os discípulos distribuíram junto com os peixes eram de cevada (Jo 6:9-13) – veja mais informações sobre como era feito o Pão sem fermento, o Matzoh, inclusive sua receita.

Pentecoste: ocorria no período da colheita do trigo (Ex 34:22) e da Poda das Videiras. Feixes de trigo eram depositados sobre o altar de Deus em sinal de gratidão. Mt 3:11, 12; Jo 14:16, 17; 15:1-8. Estes versículos esclarecem que Pentecoste representa as experiências do batismo no Espírito Santo e no fogo (quando Deus "poda" o cristão).

 

Tabernáculos: ocorria no fim do ano civil, quando os labores do campo se encerravam com a colheita – se completavam as colheitas da azeitona (que se extrai o azeite de oliva), da uva e do trigo. Todos tinham de estar obrigatoriamente presentes. Marcava o fim de um ciclo e início de outro. Era comemorada por sete dias, mais um (o oitavo, “o grande dia da Festa”, conforme Jo 7:37 e Nm 29:36). O número oito na Bíblia é o número que marca o começo de um novo ciclo. Era uma Festa de abundância, o número de ofertas oferecidas era maior do que todas as demais Festas fixas, pois coincidia com a abundância da colheita dos frutos (Ex 23:16b, 34:22; Dt 16:13).

Nota: As colheitas da cevada e do trigo traziam as provisões básicas para o povo de Deus. Como vimos acima, a colheita de cevada está associada à Páscoa e a do trigo à Festa de Pentecoste, isso significa que a experiência de salvação (batismo nas águas) e do batismo no Espírito Santo trazem as provisões básicas para a vida de um cristão.

Joel profetiza a assolação que viria, provocando escassez do mantimento básico do povo de Deus. O cereal - cevada e trigo -, a vide – uva e vinho – e as olivas – azeitona e óleo -, se murcharam, Jl 1:10-16. Profeticamente, este fato descreve o que aconteceu com a Igreja primitiva, depois que a apostasia penetrou nEla. Porém, Joel também profetiza a restituição de todas as coisas antes do grande e terrível dia do Senhor, Jl 2:18, 19, 23-32. Esta passagem aponta para a restauração das Festas fixas nos dias que antecedem à Parusia do Senhor, elas serão possíveis graças ao derramamento da chuva temporã e serôdia.

Eis que vos envio o cereal, e o vinho, e o óleo, e deles sereis fartos, e vos não entregarei mais ao opróbrio entre as nações”, Jl 2:19.

Maravilhoso é notar o paralelo que há entre o cereal com a Festa da Páscoa (O Pão Ázimo – ou Asmo – e o Pão da Ceia eram feitos de cevada, e às vezes de trigo); entre o vinho e a Festa de Pentecoste (“... não vos embriagues com vinho, ... mas enchei-vos do Espírito”, Ef 5:18); e entre o óleo (extraído da oliveira)e a Festa dos Tabernáculos (Sl 133, através da unção do Senhor, recebemos a bênção e a vida para sempre. No último dia, o grande dia da Festa dos Tabernáculos, Jesus levantou-se e exclamou: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”, Jo 7:37, 38. O óleo (azeite de oliva) também é símbolo da revelação e unção do Espírito Santo.

As três Festas representam experiências que todo cristão deve passar, em seu caminhar com Deus. Cada uma das Festas está associada a uma Pessoa da trindade. A Páscoa representa a experiência de salvação, com o Filho Jesus Cristo, identificação com Ele na cruz e a purificação da consciência pelo sangue do Cordeiro. Pentecostes traz a manifestação do Espírito Santo, capacitando o cristão com os dons, para que este se torne forte e robusto no espírito, para continuar sua caminhada rumo à plenitude e perfeição. Tabernáculo profetiza a experiência com a plenitude do Pai.

CALENDÁRIO JUDEU

Ano Religioso

 

Ano Civil

 

Mês Hebraico

Correlativo Ocidental

(2ª quinzena à 1ª quinzena)

Estação Agrícola Datas Especiais
1 7 Nisã Março / Abril Colheita de Cevada

14 – Páscoa

15 a 21 – Pães Asmos

22 – Primícias

 
2 8 Zio ou Zive Abril / Maio Colheita Geral   
3 9 Sibã ou Sivã Maio / Junho

Colheita de Trigo e Poda das Videiras 

6 – Pentecostes(50 dias depois da Páscoa) 
4 10 Tamuz Junho / Julho Primeiras Uvas   
5 11 Abe Julho / Agosto Uvas, Figos, Olivas  9 – Destruição do Templo 
6 12 Elul Agosto / Setembro Vindima   
7 1 Tisri ou Etanim Setembro / Outubro Aradura 

1 – Ano Novo eTrombetas

10 – Expiação

15 a 21 –Tabernáculos

 
8 2 Bul ou Marchesvã Outubro / Novembro Semeadura   
9 3 Casleu ou Chisleu Novembro / Dezembro   25 – Dedicação 
10 4 Tabete Dezembro / Janeiro Estação das Chuvas, Primavera   
11 5 Sabate ou Sebate Janeiro / Fevereiro Figos do Inverno   
12 6 Adar Fevereiro / Março Cardar linho, Florada das Amêndoas   13, 14 – Purim
    Adar / Sheni Mês intercalado    

 

Fonte: Quadro cronológico do Velho Testamento, John H. Walton, Imprensa Batista
Regular

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