16. Anciãos e Jovens, Homens de Deus

APRENDENDO A NOS RELACIONAR COM A GERAÇÃO DE TIMÓTEOS

Em suas duas cartas a Timóteo, Paulo usa uma expressão que nos chama atenção: “homem de Deus”.

Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão...” (1Tm 6:11). “... a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3:17).

O apóstolo Paulo sempre incentivava Timóteo a confiar no dom e na Palavra de Deus que havia sobre ele. O seu apoio ao jovem discípulo era total, pois sabia da fidelidade que havia em seu coração; Paulo tinha uma firme revelação do ministério e caráter de Timóteo. Exortava para que ninguém desprezasse a sua mocidade (juventude). E, segundo as passagens acima, reconhecia que seu filho na fé, Timóteo, tornara-se um jovem homem de Deus.

Alguns fatores contribuíram para o amadurecimento de Timóteo: sua educação fundamentada na Palavra (2 Tm 3:14-17); ele foi educado na justiça por sua avó e mãe (cf. 2Tm 1:5); em sua adolescência, foi chamado pelo apóstolo Paulo para o seguir e o servir (At 16:1-3); Timóteo acompanhava o apóstolo de perto, assimilando todos os seus ensinamentos e atitudes (2Tm 3:10, 11). Pelo visto, compreendemos que as bases da fé de Timóteo foram postas no ambiente familiar. Depois, no convívio comPaulo, homem de Deus, ele assimilou o mesmo caráter, tornando-se também um jovem homem de Deus.

Semelhantemente, hoje o Senhor está chamando e capacitando os "nossos" jovens para tornarem-se homens e mulheres de Deus. A história do discipulado dos Timóteos se repete no Reino. A grande maioria dos “nossos” jovens foram criados na visão do Reino, em lares cristãos, debaixo da unção da Ordem Divina e, ainda, muitos tiveram o privilégio de estudar na Escola do Reino de sua comunidade local.

Agora os “profetas anciãos” e os jovens Timóteos estão aprendendo de Deus a colocar em prática o ensinamento sobre o “Jogo da Carniça” (esta é uma brincadeira entre crianças, quando uma se agacha, colocando as mãos sobre os joelhos, enquanto outra, correndo e apoiando-se sobre as costas daquela, salta sobre ela, caindo em sua frente). Através desta brincadeira temos extraído vários ensinamentos espirituais sobre a sucessão de gerações do Reino. O primeiro é a importância da submissão, pois os participantes da brincadeira têm que “abaixar-se”, permitindo que outro passe “por cima de si”. Também está implícita a idéia de confiança, pois ao agachar-se, a pessoa confia que a outra não lhe derrubará e que, mais adiante, também lhe permitirá que salte. E, por fim, temos o ensinamento fundamental de continuidade, pois a pessoa que havia pulado sabe que terá que agachar-se mais adiante para que a outra também alcance "um novo nível" por meio dela. Todos nós sabemos que o objetivo maior da sucessão das gerações é estabelecermos o Reino de Deus.

Os anciãos têm a humilde consciência de que não estão ajuntando valores espirituais para seu próprio deleite. Já os jovens sabem que estão sendo capacitados para que um dia estejam na liderança. Eles estão sendo ensinados a serem bons mordomos, pois a Parusia do Senhor é chegada e o Reino lhes será entregue.

Nestes dias, os anciãos homens de Deus, estão enxergando a maturidade e o crescimento que Deus está gerando nos jovens, também homens de Deus. Este reconhecimento propicia dois sentimentos maravilhosos para ambas as gerações: primeiro a tranqüilidade e a satisfação por parte dos anciãos e, por parte dos jovens, confiança e segurança. Nós, os maduros, ao enxergarmos esta companhia de apóstolos e profetas vindo à luz, exultamos no espírito, nossos corações transbordam de gozo e alegria pelo fato do Senhor estar nos dando a graça de vermos o Seu Dia. Esta realidade nos tranqüiliza. E mais, esta segurança, quando expressa e percebida pelos jovens e adolescentes, cria neles um caráter também confiante, o que é fator importante para a continuidade da obra do Senhor na vida deles, do Corpo de Cristo e do Reino.

Diante de tudo o que vimos até agora, voltemos ao assunto sobre o discipulado dos “nossos” jovens. A seguir damos algumas orientações que ajudarão os homens de Deus (anciãos e jovens) a se relacionarem corretamente com o seu comissionamento e uns com os outros.

O relacionamento correto entre
anciãos e jovens, homens de Deus

A passagem de 1Pe 5:1-9 traz orientações claras e preciosas que ajudarão a harmonizar o relacionamento entre as gerações de homens de Deus. Vamos comentar os pontos mais importantes.

Rogo, pois aos PRESBÍTEROS” (anciãos) “que há entre vós... Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não porconstrangidos, mas espontaneamente, como Deus quer; nem porsórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes tornando-se modelos do rebanho. Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória”(1Pe 5:1-4).

Acima temos a orientação apostólica para os ANCIÃOS, homens de Deus. Pedro orienta como deve ser o pastoreio por parte dos presbíteros, exorta-os contra três atitudes negativas e tentadoras para todos os que têm o comissionamento de autoridade: a rigidez que restringe, a ganância e o domínio. Por fim, mostra que a atitude correta no pastoreio e discipulado cristão deve ser a de testemunho ou modelo. Os presbíteros devem se comportar retamente, pois todas as suas atitudes serão pesadas pelo Supremo Pastor.

a) A rigidez que restringe: A palavra traduzida por “constrangidos” tem melhor tradução na palavra “compelir, forçar ou restringir”; “... não por força”, segundo a Tradução da Imprensa Bíblica Brasileira (IBB). O pastoreio e discipulado de amor e compaixão não deve ser empurrado ou forçado sobre quem quer que seja. O ancião não deve forçar a si mesmo, mas executar seu comissionamento com espontaneidade. Por outro lado, também não deve restringir o rebanho.

Como falou o irmão Stevens naquela Palavra: “Não force o seu irmão”, entendemos que o ancião homem de Deus deve ter a sensibilidade para não limitar, restringir ou forçar as pessoas. Qualquer pessoa que tentar forçar uma pétala de rosa com as mãos para que esta se abra antes do tempo, a quebrará. Caso deseje acelerar o crescimento de uma pessoa, “adube-a”, “regue-a”, cuide dela, pois, fazendo assim, espontaneamente, conforme o querer de Deus - ou o dom de Deus para aquela pessoa - e na hora certa, ela manifestará a fragrância de Cristo que há em si.

Portanto, anciãos, não sufoquem o Cristo que há no rebanho, mas liberte-O e traga-O à luz. Não seja rígido e áspero, seja um ministério que se entrega para equipar e capacitar, com amor, o rebanho.

b) Reprovação do mercenário: Não sirva o povo de Deus com a intenção de receber algo em troca. Cabe ao Supremo Pastor decidir o que você merece pelo seu serviço. A regra é: sirva ao rebanho de Deus como ao Senhor. Se o presbítero cultiva o pensamento de que está servindo às pessoas como um fim em si mesmo, estará sujeito a duas situações ingratas: o sentimento de decepção, caso as pessoas não lhe retribuam a devida honra, ou o sentimento de ganância que o levará a exigir seus direitos e recompensas.

A ganância nem sempre se refere aos bens materiais, mas pode estar envolvida por sentimentos mais sutis como: glória pessoal, reconhecimento por parte das pessoas, cobrança de afeição, de merecimento ou até de atenção. Não trabalhe na obra do Senhor com o interesse de receber recompensa dos homens, viva para agradar ao Pai celeste, este é um dos ensinamentos básicos de Jesus no Sermão do Monte (Mt 6:1, assunto desenvolvido até o versículo 18).

c) O dominador inseguro: quando uma pessoa que está em posição de autoridade manifesta intenções de domínio, sobre as pessoas que lhes estão submissas, está dando o atestado de que fracassou no seu papel de mestre, pai ou ancião.

É bom notar que os três tópicos acima têm algo em comum. Quando um ancião torna-se rígido, interessado e dominador, estas atitudes são sintomas do seu fracasso como ministério de autoridade. O presbítero que tenta dominar o rebanho é uma pessoa insegura e que não consegue desenvolver o caráter mais elevado do pastoreio e discipulado cristão, segundo o modelo de Jesus. Ele perdeu a noção de mordomia, não entendendo o fato de que o rebanho lhe foi confiadopelo Supremo Pastor.

d) Seja modelo para o rebanho: Esta é a exortação de Pedro aos anciãos. Faça das palavras de Paulo, suas palavras: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1Co 11:1; Fp 3:17). Ser modelo (ou exemplo) não significa que você deve ser endeusado, o princípio é que você deve manifestar a luz de Cristo, para que o rebanho possa seguir o Supremo Pastor. O presbítero modelo é aquele que permite o rebanho crescer espontaneamente e se desenvolver livremente - conforme o dom de Deus; é aquele que abre a porta e não põe impecilhos para que as pessoas se acheguem a Jesus (Mt 10:14; Lc 11:52). Não é um fariseu, que não entra no Reino, e que fecha a porta para que outros não entrem. O rebanho precisa de modelos, de parâmetros, de abridores de portas; não de ídolos e fariseus.

“Rogo, igualmente aos JOVENS: Sede submissos aos que são mais velhos; outrossim, no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo aos humildes concede a sua graça.

Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossaansiedade, porque ele tem cuidado de vós. Sede sóbrios e vigilantes.O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé...”(1Pe 5:5-9a).

Pedro aborda três pontos importantes para a vida de qualquer JOVEM cristão:

a) Humildade e submissão: Os jovens devem submeter-se aos anciãos da igreja, os quais tanto são mais idosos que eles, como exercem autoridade espiritual. Pedro relembra aqui o conflito de mentes jovens e mais idosas, o “Desencontro das Gerações”. Este desencontro é sempre uma ameaça interna na comunidade (e nos lares), mas já vimos, em outras Palavras, que, nos dias do Reino, será liberada pelo Senhor uma unção especial que gerará unidade entre pais e filhos (naturais e espirituais).

   “Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor;” - sua missão: “ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha e fira a terra com maldição” (Ml 4:5, 6).

Vimos anteriormente que os anciãos não devem ser ditadores nem dominadores, e, se agirem conforme o modelo do Supremo Pastor, seu comissionamento será aceitável para os jovens. Por outro lado, a humildade é recomendada a todos, confirmando o que fala a passagem de Malaquias: o coração dos pais deve ser convertido ao de seus filhos e o coração dos filhos ao de seus pais. A mútua humildade levará todos, anciãos e jovens homens de Deus, à unidade e harmonia de relacionamento.

No Reino, não veremos no coração de anciãos e jovens apenas a autoridade e submissão presentes, haverá a revelação profunda, por parte de jovens e anciãos, do homem (ou mulher) de Deus que cada um é. O jovem se submeterá ao ancião homem de Deus, e o ancião aprenderá a levar os jovens também a serem homens e mulheres segundo o coração de Deus, conforme o dom proposto para cada um.

O jovem traz em si um vulcão adormecido, que constantemente ameaça de explodir. A qualquer momento pode vir à tona insatisfação, revolta, inconformismo e por isso a insubmissão e rebeldia. Ao submeter-se ao Senhor e aos anciãos, homens de Deus, este vulcão será domado e sua força canalizada para o humilde serviço ao Senhor.

“Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte” (1Pe 5:6).

A humildade e submissão são duas qualidades básicas para o candidato ao discipulado cristão. Cultivando-as, o jovem estará capacitado a reconhecer a autoridade do ancião, para que possa receber seus ensinamentos. A recompensa, para o jovem humilde e submisso, virá em tempo oportuno.

A "mão de Deus", segundo a passagem de Ef 4:11 e ensinamentos da Palavra Viva, representa os cinco ministérios fundamentais. Sendo assim, concluimos que o versículo citado acima contém a promessa de que os jovens que se submetem aos ministérios de autoridade, como ao Senhor, serão exaltados em tempo oportuno.

Pedro está exortando os jovens a serem pacientes, pois a vez deles chegará. Chegará o tempo em que serão colocados como ministérios de autoridade, tornar-se-ão anciãos homens de Deus, permanecendo ainda sob a poderosa mão do Senhor. Aqui cumpre-se o que falamos a respeito do “Jogo da Carniça” - cada geração terá a oportunidade  de ser protagonista da História do Reino de Deus. E, pelo serviço desempenhado, cada uma receberá a recompensa merecida do Supremo Pastor.

b) A inquietante ansiedade: a principal razão da ansiedade na vida do jovem é causada pela falta de experiência, ele não aprendeu a ser uma pessoa moderada e serena (cf. Fp 4:5-7). A ansiedade pode provocar insônia, gastrite (e úlcera), insegurança, impaciência e atitudes precipitadas. Com relação aos anciãos, o jovem se impacienta com sua tranqüilidade e serenidade. Algumas vezes isso acontece por não compreender a razão daquela tranqüilidade. Quando um ancião lhe fala: “Tenha paciência, aprenda a esperar e confiar no Senhor”, esta palavra, embora certa, por vezes aumenta ainda mais sua angústia e inquietação. Que conflito!...

Jovem, aprenda a lançar sobre Deus todas as suas ansiedades e preocupações (1Pe 5:7). Isso significa que a vida e seus fardos, a alma com suas dúvidas, inseguranças e instabilidades, devem ser entregues a Cristo, como uma carga que não se pode mais suportar. Aproprie-se da paz, moderação e constância que o Espírito Santo gera em você. Peça e busque o domínio próprio, fruto do Espírito Santo. Creia e permaneça na fé de que “Ele tem cuidado de vós”. Leia também a passagem de Fp 4:4-7.

c) O seu real inimigo - o Diabo: Os versículos 8 e 9 revelam o maior inimigo dos jovens: o Diabo. O apóstolo João também reconhece como é grande a batalha que um filho de Deus enfrenta durante sua juventude. Leia atentamente a passagem de 1Jo 2:13b e 14b.

Aqui está um discernimento importante: o conflito que há entre as gerações não tem sua principal causa nas diferenças de pensamentos, mas nas artimanhas do Diabo, o acusador dos irmãos. As diferenças existem, sim. Mas os jovens desejam e buscam o amor e compreensão dos adultos; já os adultos têm prazer e satisfação na comunhão, atenção e carinho dos mais jovens. A questão é que o acusador realça as diferenças, dando ocasião aos desencontros entre as gerações. No mundo, vemos as disputas entre as gerações sendo geradas por inspiração satânica. No Reino, aprendemos a ser sóbrios e vigilantes, julgando este espírito sutil que tenta provocar desordem na comunidade.

Conclusão

Andando nos ensinamentos expostos aqui, anciãos e jovens, homens de Deus, estarão corrigindo as diferenças que existem entre as gerações e tapando as brechas.

Então, vamos declarar e expressar nosso amor profundo uns pelos outros. Mais uma vez, profetizamos: “o encontro das gerações no Reino”. O maior interessado nisso é o Supremo Pastor Jesus Cristo; seu maior opositor, o Diabo, um inimigo vencido.

Rogo, portanto, aos anciãos, convertam seus corações aos jovens discípulos, quer sejam seus filhos naturais ou não, a fim de melhor os compreenderem e para terem uma revelação do que Deus está gerando na vida deles. Pela fé declare aos jovens: “eu creio na Palavra de Deus que há sobre vocês, e percebo os homens e mulheres de Deus que estão em formação”.

Aos jovens, nosso conselho é para declararem seu amor e unidade incondicional aos mais velhos. Chegue para seus pais (naturais ou espirituais) e declare: “eu me submeto ao homem (ou mulher) de Deus que você é, recebo sua cobertura e proteção espiritual.”

Por fim, Todos juntos declaramos julgamento aos espíritos que tentam provocar divisão e separação entre as gerações. Somos um em Cristo, temos a mente do Senhor. Nosso alvo é o Reino e o coração do Pai.

Amém!

Palavra Vivente
Reino Net

 

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