13. Acaso sou eu tutor de meu irmão?

Edição: Março de 2001 (JJ Ano X - Nº 42)

por: Raimundo Barreto

“Por esta causa me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda a FAMÍLIA, tanto no céu como sobre a terra... a fim de poderes compreender, com todos os santos, qual é a largura e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus”; Ef 3:14, 15 e 19.

À medida que nos aprofundamos no Reino de Deus, e o Reino em nós, precisaremos aprender a viver e nos relacionarmos como a FAMÍLIA de Deus. O viver em família será importante para compreendermos e vivermos o amor de Cristo que excede todo entendimento. O versículo de Efésios lembra-nos que só compreenderemos este Amor de Cristo se nos relacionarmos com todos os santos da Família de Deus. Este Amor criará a condição necessária para que toda a plenitude do Pai se manifeste em nós. Aleluia!

A ênfase que o Espírito tem dado à Palavra nestes dias é que precisaremos desenvolver a unidade, o amor e o fluir em família, vivendo como genuínos irmãos em Cristo, a Família bendita do Pai. Por isso, à medida que o Espírito Santo faz o amor de Deus fluir na família, iremos ver o espírito de egoísmo e destruição sendo julgado dentro de nós. Lembra-se que foi o egoísmo, inveja e ódio que surgiram na vida da primeira família sobre a face da terra e que fez Caim matar seu irmão Abel? Vamos rever esta história:

“Então disse o Senhor: Por que andas irado? e por que decaiu o teu semblante?”, perguntou o Senhor a Caim. “Então lhe disse o Senhor: Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”; Gn 4:6, 7.

Estes primeiros capítulos da história da humanidade descrevem como a inveja, o espírito de disputa e o ódio tomaram conta do coração de um irmão mais velho, Caim, por seu irmão mais jovem, Abel. Os espíritos de disputa e de destruição ainda imperam no mundo, mas no Reino serão destruídos e aniquilados, pois, na Família de Deus, prevalece o amor de Cristo entre os irmãos.

A narração do Gênesis continua mostrando que Caim não dominou seus sentimentos. O ódio tomou conta de seu coração e ele procedeu de forma errada, premeditando a morte de seu irmão:

“Disse Caim a Abel, seu irmão: Vamos ao campo. Estando eles no campo, sucedeu que se levantou Caim contra Abel, seu irmão, e o matou. Disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Ele respondeu: Não sei: acaso sou eu tutor” (protetor) “de meu irmão?”; vss. 8 e 9.

No Reino, Deus quer gerar o amor fraterno em nossos corações. Este amor deve levar-nos a sermos responsáveis, guardadores – tutores - uns dos outros. Isso significa que precisamos aprender como guardar cada irmão da Família em nossos corações, o que será um meio de proteção para todo o Corpo de Cristo. A disposição de nosso coração para com nossos irmãos e irmãs deve ser igual à do apóstolo Paulo, conforme ele declara na passagem abaixo:

“Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne, como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus. Acolhei-nos em vosso coração... Não falo para vos condenar; porque já vos tenho dito que estais em nossos corações para juntos morrermos e vivermos”, 2Co 7:1-3.

Esta é a declaração que devemos fazer uns aos outros: “Meu irmão (minha irmã), abro meu coração para você. Te acolho em meu coração para juntos morrermos e vivermos em Cristo”. Em nossos relacionamentos, precisamos sempre deixar morrer o que é velho e ressuscitar o novo que Cristo traz na vida de cada um. Não devemos nos relacionar com o passado negativo dos irmãos, mas com o que Cristo traz de novo em suas vidas. Crie esta disposição de coração ao se relacionar com as pessoas do Corpo. Paulo nos ensina que devemos sempre acolher os irmãos do Corpo como uma disposição mental positiva, o que será edificante.

O amor de Cristo desperta responsabilidade de uns para com os outros. Este amor responsável deve existir entre pastores e ovelhas, pais e filhos e entre os jovens. Quanto aos jovens, lembro que deve haver amor e responsabilidade para com seus irmãos “menores”, os adolescentes, pré-adolescentes e crianças do Corpo.

“Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também... Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes”Jo 13:14, 15 e 17.

Sim! Se você ama, tornar-se-á responsável por cuidar, zelar e pastorear seu irmão e irmã em Cristo. Os jovens e adolescentes devem buscar desenvolver em seus relaciona-mentos mais amor e responsabilidade de uns para com os outros. Você tem liberdade para brincar e se divertir com outros jovens e adolescentes do Corpo? Ótimo! E por que não tem liberdade para orarem juntos, imporem as mãos para abençoarem e ministrarem uns aos outros? Têm liberdade e prazer em conversarem sobre diversos assuntos? Mas, por que não têm a sinceridade para conversarem sobre a Palavra?

É isso mesmo! Nestes dias do Reino o Senhor estará nos ensinando a nos relacio-narmos corretamente e responsavelmente uns com os outros, como membros da Família bendita do Pai. Ele nos ensinará como fazermos para pastorearmos (cuidarmos) uns dos outros. Um amor profundo entre os jovens e adolescentes surgirá, de forma que todas as brechas e feridas serão curadas. A batalha não será mais algo individual, levaremos as cargas uns dos outros: “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo”, Gl 6:2.

A Bíblia também relata a história do amor genuíno que foi gerado por Deus entre dois jovens: Davi e Jônatas1Sm 1:1 fala:

“Sucedeu que, acabando Davi de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a de Davi; e Jônatas o amou, como à sua própria alma”.

A inveja e o ódio foram sentimentos que sempre estiveram presentes na “corte” durante o reinado de Saul. O rei Saul desenvolveu um ódio incontrolável contra Davi, a ponto de ser perturbado por um espírito maligno durante suas crises de raiva, vs. 9. Pessoas que sofrem crise de raiva são canais abertos para espíritos demoníacos.

Mas, em meio ao desequilíbrio sentimental e espiritual que existia na “corte” de Israel, havia no coração de dois jovens, Jônatas e Davi, um amor responsável e genuíno. Jônatas, filho de Saul, sentia-se responsável por Davi e o protegeu, em diversas ocasiões, contra o ódio diabólico de Saul. O espírito que atuava através de Saul queria aniquilar a semente do Messias, que estava em Davi:

“Falou Saul a Jônatas, seu filho, e a todos os servos, sobre matar a Davi. Jônatas, filho de Saul, mui afeiçoado a Davi, o fez saber a este, dizendo: Meu pai, Saul, procura matar-te; acautela-te, pois, pela manhã, fica num lugar oculto, e esconde-te...”, 1Sm 19:1, 2.

Ao nos relacionarmos, nestes dias, com o mesmo nível de amor responsável uns pelos outros, certamente estaremos protegendo o Cristo que está sendo gerado em nossos irmãos. O espírito que havia em Caim e que também atuou em Saul, será neutralizado por este amor. Nós, que somos a descendência do segundo Adão – Cristo - chegamos honestamente para Deus e afirmamos: “Sim, Senhor, pela Tua graça e amor, somos tutores de nossos irmãos. Assumimos nossa responsabilidade de proteger, pastorear e amar uns aos outros”.

amor responsável moverá nossos corações para termos a mesma atitude sacerdotal que Cristo teve por seus discípulos:

Pai... quando eu estava com eles, GUARDAVA-OS no teu nome que me deste, e PROTEGI-OS, e nenhum deles se perdeu”; Jo 17:12.

Raimundo Barreto
rai@reinonet.com.br

 

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