06. Lição 4 - A Chuva do Espírito Está Começando?

"MOISÉS RESPONDEU: QUEM DERA TODO O POVO DO SENHOR FOSSE PROFETA..." 
(NÚMEROS 11:29). "TODOS PODEIS PROFETIZAR..." (1 CORÍNTIOS 14:31).

ESCOLA PARA PROFETAS

Lição 4
A Chuva do Espírito Está Começando?

APRESENTAÇÃO:

Uma visão panorâmica do livro de Atos mostra que os primeiros discípulos se tornaram realmente treinados e equipados. Muitos cristãos não reconhecem a verdadeira ênfase do livro de Atos. Todos lêem sobre como o Espírito Santo foi derramado no Dia de Pentecostes trazendo o poder de Deus sobre a Igreja. Ficam maravilhados com as línguas de fogo, o vento poderoso e todos falando em línguas. Mas as pessoas não percebem que depois que o Espírito Santo foi recebido, a ênfase não estava mais sobre as línguas. O livro de Atos contém apenas um relato diluído sobre as línguas depois do Pentecostes, quando o Espírito Santo foi pela primeira vez derramado.

O oitavo capítulo de Atos fala sobre como Filipe foi aos samaritanos e todos creram. Quando os apóstolos em Jerusalém ouviram que os samaritanos tinham recebido a Palavra de Deus enviaram Pedro e João até eles. Eles impuseram as mãos sobre os novos cristãos e eles receberam o Espírito Santo. O relato não diz se eles falaram em línguas ou não. Mas, evidentemente, era quase um fenômeno, porque Simão, que era mágico, ofereceu uma grande quantidade em dinheiro para Pedro num esforço, vão, de comprar a habilidade de impor as mãos sobre as pessoas e produzir os mesmos resultados (vs. 14-20).

Quando as pessoas lêem acerca do que aconteceu no décimo capítulo de Atos, tendem a colocar a ênfase no fato de que o Espírito Santo caiu sobre Cornélio e sua família e todos começaram a falar outras línguas (vs. 44-46). Tal ênfase está errada. Foi quando Pedro falou a Palavra de Deus que as outras coisas começaram a acontecer – “Enquanto Pedro ainda estava falando estas palavras, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a mensagem” (versão AVI). A verdadeira ênfase do relato não está sobre o fenômeno do Espírito Santo, mas sobre o fato de Pedro ter declarado a Palavra de Deus. Aquela Palavra trouxe uma experiência espiritual para aqueles corações que estavam abertos.

O capítulo 19 de Atos conta sobre como Paulo falou para aproximadamente doze discípulos em Éfeso, dizendo: "Vocês receberam o Espírito Santo quando creram?" Eles responderam: "Não, nós nem sequer ouvimos a respeito disso." Quando Paulo impôs as mãos sobre eles, eles receberam o Espírito Santo – então falaram em línguas e profetizaram (v. 6). Apesar de terem acontecido os dois fenômenos, os pentecostais usam esta passagem para sustentar sua ênfase nas línguas. Contudo, a chave importante aqui é que Paulo estava falando a Palavra do Senhor. A ênfase estava inteiramente em falar a Palavra do Senhor. Durante dois anos a Palavra se espalhou até que todos na Ásia a ouviram. Deus fez milagres especiais através das mãos de Paulo e a Palavra de Deus cresceu poderosamente e prevaleceu (Atos 19:11-12, 20). O escritor de Atos não disse que todos da Ásia falaram em línguas. Ele enfatizou o fato de que a Palavra de Deus foi proclamada[1][1]. Este é o verdadeiro fenômeno que é mencionado capítulo após capítulo no livro de Atos. A Proclamação Profética da Palavra de Deus se tornou uma parte viva da Igreja primitiva.

No entanto, a importância de receber o Espírito Santo e falar em línguas não deve ser diminuída. Por que recebemos o Espírito Santo? Para que nos tornemos oráculos de Deus. Esta é a chave dada em João 7.37-39: “No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado”.

Só quando Jesus é glorificado como Senhor em nossas vidas, e bebemos do Espírito Santo, é que nos tornamos fontes vivas. Isso não é necessariamente um fluir em línguas. Muitos recebem o Espírito Santo e falam em línguas, mas os rios de águas vivas se referem a um fluir profético. O Espírito Santo que está dentro de nós é Aquele que nos incita a nos tornarmos oráculos de Deus e fontes do Senhor com rios de águas vivas fluindo de nós.

Isto nos ajudará a lermos o livro de Atos de uma maneira um pouco diferente. Não devemos lê-lo como se fosse apenas um relato sobre pessoas que receberam o Espírito Santo e falaram em línguas. Esta é uma ênfase secundária. O que devemos realmente observar é que as pessoas que receberam o Espírito Santo se tornaramcanais de Deus sobre a terra. O livro de Atos relata as ações dos apóstolos; ele é um relato daquilo que Deus estava fazendo através deles e como Ele estava falandoatravés deles.

O livro de Atos inteiro é um estudo acerca de falar a Palavra do Senhor. Observe, por exemplo, o que aconteceu no terceiro capítulo. Pedro e João estavam indo para o Templo orar quando, de repente, viram um homem coxo a quem curaram (vs.1-8). Uma multidão se reuniu e Pedro pregou e muitas pessoas creram no Senhor. O capítulo 4 começa com o relato de que os sacerdotes, o capitão do Templo e os fariseus, incomodados por eles ensinarem e anunciarem a Jesus, os prenderam e os recolheram ao cárcere. Quando as autoridades os libertaram no dia seguinte, os advertiram seriamente acerca de pararem de pregar sobre Jesus. Neste ponto Pedro se levantou, cheio do Espírito Santo, e começou a lhes falar: "Autoridades do povo e anciãos…" Veja, ele não parou até que tivesse proclamado a Palavra! As autoridades não sabiam o que fazer. Depois de consultarem uns aos outros eles finalmente ordenaram aos dois apóstolos que absolutamente não falassem nem ensinassem em nome de Jesus. Mas Pedro e João lhes responderam: “Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus; pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (vs. 19-20). Havia um fluir compulsivo da Palavra do Senhor.

“Depois, ameaçando-os mais ainda, os soltaram, não tendo achado como os castigar, por causa do povo, porque todos glorificavam a Deus pelo que acontecera. Ora, tinha mais de quarenta anos aquele em quem se operara essa cura milagrosa. Uma vez soltos, procuraram os irmãos e lhes contaram quantas coisas lhes haviam dito os principais sacerdotes e os anciãos. Ouvindo isto, unânimes, levantaram a voz a Deus e disseram: Tu, Soberano Senhor, que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há; que disseste por intermédio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido; porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram; agora, Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra…” Eles não estavam preocupados em falar em línguas. O principal objetivo era falar a Palavra de Deus.“…enquanto estendes a mão para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do nome do teu santo Servo Jesus. Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus” (Atos 4.21-31).

Todos começaram a orar e o lugar onde estavam reunidos tremeu. O sinal de que estavam todos cheios do Espírito Santo não foram as línguas, mas o fato de que todos falaram a Palavra de Deus com intrepidez. Falando a Palavra do Senhor eles alcançaram o objetivo e a verdadeira função do Espírito. Seria bom esperarmos por outro Pentecostes, mas seria melhor ainda se este fosse como o dia descrito aqui.

Precisa existir no povo de Deus, hoje, uma fé que olha para Deus com a expectativa de que Ele encherá todo o Corpo de Cristo com o Espírito do Senhor novamente. Precisa existir uma fé que creia no Senhor para esta mesma experiência de impor as mãos sobre as pessoas para que recebam o Espírito Santo. Segundo o modo antigo de pensarmos, para que isso aconteça é preciso que todos falem em línguas. Entretanto, os ministérios fundamentais podem impor as mãos sobre as pessoas para que a função principal do Espírito – falar a Palavra de Deus – venha à luz. Não há nada de errado em falar em línguas, mas isso deve ser considerado apenas como o começo. Não podemos nos dar por satisfeitos enquanto não formos cheios com a Palavra.

Paulo escreveu aos Colossenses: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração”(Colossenses 3.16). O fluir profético nos cânticos e no falar a Palavra do Senhor vem da plenitude desta Palavra em Seus discípulos. Isto é o que fará com que eles se tornem a Companhia Profética que devem se tornar neste tempo do fim.

“Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum. Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Pois nenhum necessitado havia entre eles, porquanto os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores correspondentes e depositavam aos pés dos apóstolos; então, se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade”. (Atos 4.32-35). Muitas pessoas têm medo de fazer tal coisa. Elas retrocedem quando alguém começa a falar sobre vender suas propriedades e entregá-las ao Senhor. Isso parece muito radical.

A maioria das pessoas da Igreja Primitiva fugiu de Jerusalém conforme a Palavra dada por Jesus (Lucas 21.21). Durante trinta ou trinta e três anos as pessoas fugiram para as montanhas para salvar suas vidas. No ano 70 AD muitas pessoas que mantiveram suas propriedades foram mortas e tiveram suas propriedades destruídas. Quando Jerusalém finalmente caiu, eram tantos os crucificados que não havia madeira suficiente para as cruzes. Os cristãos naqueles dias estavam fazendo a coisa certa. Estavam investindo seu dinheiro no Reino. Seria bom se todos agissem desta maneira também hoje.

Todas as igrejas precisam ser novamente cheias com o Espírito Santo. Todos os cristãos devem falar em línguas. Todos devem profetizar. Mas todo cristão precisa ir ainda mais adiante. Foi esta diligência na busca de uma experiência maior que fez com que os acontecimentos de Atos 19 se tornassem um milagre tão grande. Aqueles doze discípulos foram cheios com o Espírito Santo. Eles falaram em línguas e profetizaram. Se você pudesse escolher uma experiência bíblica para seguir ou em que se basear, por que não escolher uma das melhores? Algumas pessoas podem defender aquela em que todos falam em línguas. Isto seria bom. Outros podem querer falar uma determinada língua. Isto também seria bom, especialmente se há estrangeiros. Mas a experiência relatada em Atos 19 é uma das melhores.

Depois de Paulo encontrar aqueles discípulos num cenáculo em Éfeso e impor-lhes as mãos, eles receberam o Espírito Santo. Mas eles avançaram para um fluir profético que resultou na Palavra ser espalhada por toda Éfeso. A Palavra se espalhou com mais poder do que teria se espalhado se eles tivessem apenas falado em línguas. Ela se espalhou até que encheu toda Ásia e todos tinham ouvido a Palavra do Senhor (Atos 19:10). Por que não crer que podemos receber o Espírito Santo, falar em línguas e também profetizar a Palavra do Senhor? Os cristãos devem entrar num fluir profético desde o primeiro momento em que recebem o Espírito Santo.

Em Atos 5:19-20 a ênfase está, outra vez, em falar a Palavra do Senhor: “Mas, de noite, um anjo do Senhor abriu as portas do cárcere e, conduzindo-os para fora, lhes disse: Ide e, apresentando-vos no templo, dizei ao povo todas as palavras desta Vida”. Foi-lhes ordenado: "Proclamem ao povo todas as Palavras desta Vida." O livro de Atos continua enfatizando o que Deus disse para o homem: "Vá e fale a Palavra do Senhor." Eles foram e falaram a Palavra do Senhor.

Ao lermos o sexto capítulo de Atos, podemos observar que a dedicação para falar a Palavra do Senhor criou um problema. Havia reclamações de que algumas viúvas pobres e velhas estavam sendo esquecidas na distribuição diária. Os apóstolos sabiam qual era sua responsabilidade e então convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: “Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas” (Atos 6.2). Não era função dos apóstolos deixarem de servir a Palavra de Deus para servir às mesas. Eles sabiam que sua responsabilidade era falar a Palavra de Deus. Eles não eram responsáveis pela organização da igreja. Por isso disseram ao povo: "Escolham, dentre vocês, homens que possam fazer este serviço." Mas também especificaram algumas características para esses homens: “Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço; e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra” (Atos 6:3-4). E foi exatamente isso o que aconteceu.

O sétimo capítulo fala de Estevão, um dos diáconos escolhidos. Ele pregou um dos mais longos sermões encontrados no livro de Atos. Estevão era cheio do Espírito e da Palavra Viva, mas alguns escribas e fariseus o apedrejaram por pregar essa Palavra. Filipe, outro dos sete diáconos escolhidos, precisou fugir para Samaria.

No oitavo capítulo vemos que aqueles que foram espalhados prosseguiram pregando a Palavra do Senhor. Em Atos 8.14 nós encontramos Filipe novamente: “Ouvindo os apóstolos, que estavam em Jerusalém, que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João” – Filipe estava falando a Palavra de Deus ali. Então, no versículo 25, nós lemos: “Eles, porém, havendo testificado e falado a palavra do Senhor, voltaram para Jerusalém e evangelizavam muitas aldeias dos samaritanos”. É interessante notar que aqueles homens haviam sido escolhidos para servirem às viúvas, mas a igreja foi esfacelada mesmo antes que tivessem uma chance de cumprir esta parte de seu ministério.

O mundo ignorou a Igreja depois que ela parou de falar uma Palavra de Deus – mas aqueles discípulos do Novo Testamento não foram ignorados. Todos os ouviram. Eles foram, desde o primeiro momento, ou totalmente aceitos ou totalmente rejeitados. Estevão foi apedrejado, mas os outros continuaram falando a Palavra de Deus. Mesmo quando estava aprisionado, Paulo disse: "A Palavra de Deus não está amarrada". (2 Timóteo 2.9). Ele continuou falando a Palavra. Era uma Palavra Viva – a qual ele também escreveu e ministrou.

As pessoas precisam buscar um nível mais alto de profecia nos cultos – ou podem se atolar e começar a substituir a profundidade da unção pela força dos pulmões. Às vezes as pessoas pensam que quanto mais alto gritarem mais eficazes serão, mas é a plenitude do Espírito e o nível de fé que faz com que as coisas aconteçam.

Cada crente deve passar tempo esperando no Senhor e vir para o culto já preparado para funcionar como parte de um Corpo. Com esta preparação de plenitude e fé o povo de Deus pode começar a profetizar – e o que eles ligarem na terra será ligado no céu. Da mesma forma, o que eles desligarem também será desligado (Mateus 18:18). Ao orar por uma pessoa o povo de Deus não apenas a libertará dos problemas, mas também haverá uma injeção tão profunda do Espírito do Senhor que criarão uma nova fonte.

A Igreja do Senhor Jesus precisa se tornar a voz profética que Deus quer, tão cheia de Deus que possa falar a Palavra por toda a terra!

[1] A palavra grega para Pregação é, na realidade, kêrigma (querigma), que significa Proclamar, descrevendo a atitude do arauto, ou mensageiro de um rei. Proclamar, portanto, descreve o “retinir” da voz do arauto, o ato de gritar alto, de quem anuncia (o edital do Rei). No Novo Testamento é traduzida por: anunciar, pregar ou fazer conhecido. Paulo proclamava a Jesus Cristo (Romanos 16:25) e o Evangelho (1 Tessalonicenses 2:2, 9). Sua proclamação era uma efusão do Espírito e de poder (1 Coríntios 2:4; 2 Timóteo 4:17). Jesus e Seus discípulos Proclamavam o Evangelho do Reino; Mateus 4:23; 9:35; 24:14; 26:13). A Igreja Primitiva Proclamava a Cristo: 1 Coríntios 1:23; Filipenses 1:15; Atos 8:5; 9:20 e 19:13. O profeta é o declarador da palavra de Deus, aquele que fala em prol de Deus.

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