29. Estudo da Bíblia (Esboço: Tiago)

AUTOR: No próprio livro encontra-se a referência de que foi escrito por Tiago. Há no Novo Testamento referências a três pessoas com este nome, no entanto o filho de Maria e de José, portanto irmão de Jesus é tido como o autor desta epístola. Escolhido como bispo da igreja de Jerusalém após o Pentecoste, Tiago dá à epístola um ar de autoridade. Esta carta foi escrita pouco antes dele morrer por volta do ano 60 d.C. tendo sido endereçada aos judeus cristãos dispersos.

PROPÓSITO: Tiago escreve para as  "doze tribos que se encontram na dispersão",1:1, palavras com que não designa tribos judaicas, mas os cristãos judeus da dispersão, ou igrejas estrangeiras compostas de judeus-cristãos. Sem dúvida, esses crentes haviam escrito à igreja mãe (em Jerusalém), contando seus problemas. Esta carta pode ser uma resposta às necessidades daqueles irmãos. De qualquer forma, a verdade é elementar, mas básica e sã. A ênfase é "obras" e "vida santa".  Em outras palavras, que uma vida santa e boas obras são os resultados inevitáveis da vida cristã. Não que a salvação se opere de outra forma que não pela fé, mas a verdadeira fé certamente mostrará a sua autenticidade por meio das boas obras na vida do cristão.

ESBOÇO PARA ESTUDOS:

BENEFÍCIOS DAS PROVAÇÕES. Praticantes da palavra, 1:1-27

(    ) Destinatários e saudações, 1:1 – Tiago não se apresenta como irmão de Jesus, mas com Seu servo. Endereça sua carta , crendo que mesma teria longo alcance, e envia a todos saudações.

(    ) A resistência das provações, 1:2-3 – "provação" v.2, se refere a testes que vêm para nos experimentar; no v.12, trata-se de sedução para o pecado. Pelas provações, Deus aperfeiçoa os herdeiros da eternidade, 5:13-14. Devidamente dentro dos moldes visados pelo Senhor, ao vir ser nosso Salvador.

(    ) A Paciência, 1:3-4 – é a capacidade de esperar por aquilo que desejamos, e de suportar as provações. As provações produzem paciência. A paciência opera a perfeição, 5:7-11.

(    ) A Sabedoria, 1:5 – é a forma de que convém ao cristão de enfrentar as exigências da vida, 3:13-18; Pv 23:4.

(    ) A Oração, 1:5-8 – a oração é um canal aberto da parte de Deus, a fim de que exercitemos a fé; por isso a oração para ser atendida deve ter este ingrediente essencial.

(    ) A Fé, 1:6-8 – confiança em Deus que permanece  imperturbável no meio das tormentas da vida, condição esta de oração eficaz, 2:14-26. Tudo é possível ao que crê, Mc 9:23.

(    ) A vaidade das riquezas, 1:9-11 – nossa condição social não nos deve impedir de servir a Deus, a condição natural, seja ele boa ou ruim é passageira.

(    ) A Tentação, 1:12-16 – aqui a palavra quer dizer sedução do pecado. Não vem de Deus. Deus é capaz de guardar-nos dela, e ajudar-nos a suportá-la. Jesus mandou orar para que ela fosse evitada, Mt 26:41.

(    ) O Pecado, 1:14,15 – tem sua origem na cobiça, isto é, nos desejos da carne. Gerado na cobiça, o pecado dá à luz a morte.

(    ) O novo nascimento do cristão, 1:17-18 – como o pecado produz a morte, v.15, assim Deus, mediante Sua Palavra, gera a alma do cristão. Pedro também fala da Palavra como semente fecundante que faz nascer a alma recém-gerada, I Pe 1:23.

(    ) A Língua, 1:19-20 – vigiar a língua; dominar a gênio; ser bom ouvinte; nada de conversa torpe, 1:26; 3:18; 4:11,12; 5;12. São conselhos práticos para serem seguidos regularmente.

(    ) Praticantes da Palavra, 1:21-25 – a Palavra acabou de ser mencionada como sendo o instrumento da geração da alma, v.18, e o meio de salvação desta, v.21. Aqui, é um espelho, v.23, que nos mostra o que somos, bem como o caminho para a perfeição final; 2:14-26; Mt 7:24-27.

(    ) Religião pura, 1:26,27 – uma língua sem freio numa pessoa religiosa, é coisa desprezível, revelando a falsidade da sua religião. Uma vida caridosa, livre de demasiado apego às coisas da terra, é a glória da religião pura em seu sentido original.

ACEPÇÃO DE PESSOAS. FÉ E OBRAS, 2:1-26

(  ) Acepção de pessoas, 2:1-13 – deve ter havido na Igreja Judaica uma mentalidade decididamente mundana para dar lugar a estas palavras. Não fôra assim no início da Igreja, At 2:45; 4:34. Deus ama os pobres. E os ricos devem amá-los também. A "lei da liberdade", v.12, 1:25 é a lei de Cristo, em que há perdão e libertação do pecado. A lei de Moisés, lei da escravidão, não tinha tal provisão.

(    ) Fé e obras, 2:14-26 – a doutrina da justificação pela fé, pregada por Paulo, e a da justificação pelas obras, apresentada por Tiago, complementam-se. Nenhum deles se opõe ao outro. Tiago apoiou a obra de Paulo, At 15:13-29; 21:17-26. Paulo pregava a fé como base de justificação diante de Deus, mas insistia que devia resultar num gênero correto de vida. Tiago escreveu para os que haviam aceitado a doutrina da justificação pela fé, mas que em geral abusavam dela, flagrantemente, disse-lhes que tal fé não era fé, absolutamente.

CUIDADOS COM AS PALAVRAS (LÍNGUA), 3:1-18

(    ) O poder da língua, 3:1-12 – por essas exortações é provável que na Igreja Judaica deveria haver muitos presunçosos, briguentos, de mentalidade mundana, que se impunham como líderes e mestres. "Tropeçar no falar", v.2, significa não somente palavras ásperas, zangadas, mas doutrinas falsas e estultas. A língua  é a principal expressão da nossa personalidade, e comumente provoca nos outros uma reação imediata qualquer. "Posta em chamas pelo inferno" v.6. "Carregada de veneno mortífero"  v.8.  São palavras fortes, porém muito verdadeiras. Muita conversa vil tem arruinado lares, dividido igrejas e levado ao desespero e à desgraça milhões incontáveis. Todavia, há muita gente bastante religiosa que parece não fazer o menor esforço para dominar sua língua. Estes trechos nos lembram certas declarações do Livro dos Provérbios;  "A  boca do insensato é sua própria destruição".  "O que guarda a boca, conserva a sua alma".  "A morte e a vida estão no poder da língua". "Até o estulto, quando se cala, é tido por sábio". Pv 13:3; 17:28; 18:7,21.

(    ) A Sabedoria, 3:13-18 – parece que o apóstolo visava aqui certos mestres loquazes, que ambicionando ser considerados brilhantes em sua argumentação, fanatizados por certa doutrina favorita, tendo um pouco ou nenhum apreço à Pessoa de Cristo, estavam provocando só ciúmes e facções. Tiago chama, tal sabedoria, "demoníaca", contrastando-a com a sabedoria "do alto", que é revelada pela pessoa que vive uma vida virtuosa.

MENTALIDADE MUNDANA, 4:1-17

(    ) A origem das guerras, 4:1,2 – a cobiça. O desejo de obter o que é dos outros. Tem sido a causa da maioria das guerras que têm devastado a terra.

(    ) Oração eficaz, 4:2,3 – são numerosas as vezes que Deus promete responder à oração, porém não a daqueles cobiçosos que amam o mundo, com seus bens, 5:13-18.

(    ) Ânimo dobre, 4:4-10 – desenvolvimento da declaração de Jesus, de não ser possível servir à Deus e às riquezas, Mt 6:24 é semelhante ao aviso de João contra o amor ao mundo, I Jo 2:15-17. Tais passagens sugerem a necessidade de contínuo auto-exame, porque tendo de viver no mundo, e as coisas do mundo sendo necessárias à nossa subsistência diária, requer-se muita vigilância para se conservarem nossos sentimentos acima da linha de separação. Por isso, torna-se necessário aproximar-nos de Deus nos termos do v. 8.

(    ) A língua, 4:11,12 – outra vez há referência à língua; agora refere-se ao absurdo de um pecador levantar-se como juiz de outro pecador.

(    ) Auto-suficiência, 4:13-17 -  "Se o Senhor quiser", v.15. Uma das mais admiráveis doutrinas da Escritura é que Deus, tendo nas mãos o universo infinito, para cada um do Seu povo tem um plano definido, At 18:21; Rm 1:10; 15:32; I Co 4:19; I Pe 3:17.

OS RICOS. RESISTÊNCIA. ORAÇÃO, 5:1-20

(    ) Os ricos, 5:1-6 – esta é a quarta crítica dirigida aos ricos, sendo as outras em 1:9-11; 2:1-13: 4:1-10. Estes são ricos que acumularam riquezas de forma ilícita. O versículo 3b é uma profecia de que a concentração de riquezas se evidenciará nos “últimos dias”. Portanto, a exortação aplica-se especialmente à nossa geração. “Tendes condenado e matado o justo, sem que ele vos faça resistência”, vs. 6. O texto mostra que haverá uma resistência espiritual dos justos, nos últimos dias, contra toda injustiça. O texto prossegue, vss. 7 a 11, e lembramos que a palavra traduzida em nossa versão por “paciência”, na realidade, é, no grego, a mesma palavra do vs. 6,resistência.

(    ) A resistência nos sofrimentos, 5:7-11 –  os sofrimentos não devem ser um modo de vida do cristão. Se eles forem necessários que devam ser considerados apenas uma forma de Deus se aproximar de nós e nós Dele. O dia da plenitude se aproxima, e os cristãos devem almejá-lo ardentemente, resistindo ao mal, perseverando.

(    ) A língua, outra vez, 5:12 – desta vez trata-se de juramentos levianos, empregando levianamente o nome de Deus. Um pecado que desagrada muito a Deus. Há muitos cristãos que fazem uso errôneo e irresponsável do nome de Deus. A língua se empregaria muito melhor nas orações e na adoração v. 13.

(    ) Orar, 5:13-18 – Elias, fechando e abrindo o céu operou poderoso e raro milagre, I Rs 18. Não obstante, o fato é citado como incentivo às nossas orações. A oração da fé será respondida; "unção com óleo" v. 14, era um medicamento, geralmente usado, Lc 10:34: Is 1:6, a ser corroborado pela oração, e não para ser empregado com finalidades mágicas.

(    ) Restaurar o desviado, 5:19,20 – isto agrada muito ao Senhor, à vista do que perdoa muitas fraquezas nossas. Comparar, I Pe 4:8. É o "conduzir muitos à justiça", descrito em Dn 12:3.

 

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