28. Estudo da Bíblia (Esboço: Hebreus)

AUTOR: Desde o primeiro século, a questão de quem escreveu o livro de Hebreus tem provocado muita discussão. As respostas dos primeiros cristãos variavam. Na versão de Almeida, é anônima, porque nos manuscritos mais antigos seu autor não é mencionado. A igreja oriental aceitou, desde o princípio, a autoria de Paulo para esta epístola. Clemente de Alexandria pensava que Paulo a escreveu em hebraico, e Lucas a traduziu para o grego. Orígenes disse que os pensamentos dela eram de Paulo, e considerava este seu provável autor, mas acrescentou: "Quem a escreveu, só Deus sabe com certeza."

Evidentemente, foi escrita antes da destruição de Jerusalém, ocorrida em 70 d.C. Se Paulo a escreveu, parece provável que o fez de Roma, 62 – 64 d.C.  O sentido natural, ainda que não necessário da frase "os da Itália vos saúdam", 13:24, é que a carta foi escrita da Itália.

PROPÓSITO:  Esta carta foi escrita com o fim de preparar os cristãos judeus para a iminente queda de Jerusalém. Os cristãos judeus, depois de aceitarem a Jesus como seu Messias, continuaram a ser zelosos pelos ritos e sacrifícios no Templo, o centro de peregrinações do mundo inteiro. Ao invés disso, iam receber o maior choque de sua vida. Com um golpe do exército romano, a Cidade Santa ia ser arrasada e os ritos do Templo cessariam.

Esta epístola foi escrita para lhes explicar que os sacrifícios de animais, pelos quais se mostravam tão zelosos, não tinham mais utilidade; que a morte de um touro, ou de um cordeiro, jamais poderia tirar o pecado; que tais sacrifícios nunca tiveram o intuito de serem perpétuos; que o plano foi fazê-los como uma figura multissecular do sacrifício vindouro de Cristo; e agora que Cristo já viera, cumprida estava a finalidade deles, e haviam passado para sempre. “A Lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas...”10:1. Os ritos, ofertas e sacrifícios mosaicos eram imperfeitos e ineficazes; eram como parábola para a época presente; 9:9.

Hebreus foi dirigida à capital da nação judaica. Hebreus trata da relação do Rei com  A NAÇÃO da qual saiu. Este livro mostra o que significa a Nova Aliança, mas também mostra o significado espiritual que a Antiga Aliança tem para nós, cristãos. Portanto, o livro de Hebreus é fundamental para abrir nosso entendimento a fim de extrair o significado espiritual da Lei.

ESBOÇO PARA ESTUDOS:

(    ) PRÓLOGO: Curso e clímax da revelação divina, 1:1-3 – vemos aqui uma das passagens mais magníficas da Bíblia em vista de sua sublimidade. Jesus, Sua divindade, Sua glória inefável, Criador, Preservador e Herdeiro do universo, exaltado acima de todas as ordens de seres criados. Por um ato eterno de Deus, UMA VEZ PARA SEMPRE, Jesus fez a purificação do pecado do homem e lhe trouxe salvação eterna.

A PREEMINÊNCIA DO PRÓPRIO CRISTO, 1:4 – 4:13

(    ) A superioridade de Cristo aos anjos, 1:4-14 – o ensinamento principal da Epístola é que Cristo é o cumprimento, antes que o administrador do sistema mosaico. Na formulação de seu argumento, o escritor compara Cristo com os anjos, mediante os quais a Lei fôra dada, At 7:53; e com Moisés, o legislador; e com o sacerdócio levítico, mediante o qual a Lei fôra aplicada. A linguagem de Hebreus parece indicar que os espíritos humanos e os anjos não são os mesmos. Aqueles são uma ordem de criação superior aos anjos, se bem que estes sejam apresentados com maior poder. Os anjos são nossos servidores hoje e sê-lo-ão para sempre, v. 14. Eles adoram a Cristo como nós.

(    ) Aviso: Perigo da indiferença a essas verdades, 2:1-4 – as verdades do Evangelho nunca devem ser abandonadas ou esquecidas pois o seu testemunho é dado pelo próprio Deus; os que as abandonaram receberão o justo castigo, servindo tudo isso de exemplo para nós.

(    ) O motivo que levou Cristo a tornar-se humano, 2:5-18 – Deus criou o homem para exercer domínio sobre todas as coisas. Mas o homem ainda não cumpriu totalmente esta finalidade. Cristo já se fez um com o homem, participando das suas tentações, sofrimentos e da sua própria morte, para que o homem se torne um com Cristo, sendo então co-participante da Sua divina natureza e do Seu domínio eterno.

(    ) A posição de Cristo é superior à de Moisés, 3:1-6 – os judeus tinham em mente que Moisés, o legislador era superior a Cristo, que era o cumpridor da lei. Mas é exatamente o contrário; Cristo está acima de Moisés como herdeiro e dono de uma casa que está acima dos servos desta casa. A "Casa" de Deus, v. 6 é o Seu povo.

(    ) Aviso: A incredulidade traz efeitos temporais e eternos, 3:7-4:13 – a advertência contra a descrença é um perigo grave. O exemplo é dado em relação ao povo que saiu do Egito pelas mãos de Moisés e pereceu no deserto por causa da incredulidade. Se pereceram por desobedecerem à palavra de Moisés, que esperança haverá para os que menosprezarem a palavra de Cristo? O escritor deveria ter em mente a aproximação da queda de Jerusalém, a horrível calamidade da história judaica, que tentaria os cristãos judeus a perder a fé em Jesus, como Messias. A melhor maneira de se alcançar as promessas de Deus é dar ouvidos à Sua palavra que é viva e eficaz.

O SACERDÓCIO DE Jesus Cristo, 4:14 – 10:18

(    ) A importância do Seu  sacerdócio para a conduta pessoal, 4:14-16 – começa aqui, o tema principal da Epístola, a comparação de Cristo com o sacerdócio levítico, constituindo-se  na parte principal desta carta.

(    ) Qualificações de um Sumo Sacerdote, 5:1-10 – os sacerdotes eram da tribo de Levi, enquanto Cristo era da tribo de Judá. Eles eram muitos; Jesus era um só. Eles ofereciam sacrifícios de animais; Jesus ofereceu-Se a Si mesmo. Eles morreram; Cristo vive para sempre.

Aviso: Imaturidade e apostasia são destruídas apenas pela fé, longanimidade e esperança, 5:11-6:20

(    ) Condição dos leitores, 5:11-14 – em tempos passados os hebreus tinham sido notavelmente zelosos em "servir os santos",  6:10, porém agora estavam esquecidos dos princípios elementares v.12. Esta passagem se refere ao declínio da condição fraternal da Igreja de Jerusalém, que se descreve em At 4:32-35. Estavam novamente necessitando como crianças de leite espiritual.

(    ) Chamada para avanço por parte dos leitores, 6:1-3 – os princípios elementares eram apenas fundamentos sobre os quais se deveriam edificar algo permanente. A ordem é prosseguir em frente crescendo em Deus.

(    ) Condição de outros que se desviaram, 6:4-8 – a queda do cristão pode ser parcial ou total; enquanto é parcial há cura, se for total não pode haver mais cura. Para os que rejeitaram a Cristo, jamais haverá outro sacrifício pelo seu pecado. Terão de sofrer as consequencias do mesmo.

(    ) Terminar a carreira cristã exige constância, 6:9-20 -  a dedicação e perseverança em caminhar com o Senhor são bem aceitas por Ele; certamente Abraão obteve a promessa por causa de sua persistência e fé na palavra dita por Deus, mesmo que por alguns momentos tivesse ele testada a fé colocada em seu coração, mas creu e isto lhe foi imputada para justiça.

O eterno sucessor de Melquisedeque, 7:1-28

(    ) O próprio Melquisedeque no Antigo Testamento, 7:1-3 – Melquisedeque figura mencionada em Gn 14:17-20 era Rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo. Diz-se que ele não tinha pais, nem descendentes; essa aplicação pode ser feita a Jesus que é preexistente e eterno. Nesta declaração torna-se evidente que o sacerdócio de Cristo não depende de Levi ou dos filhos de Arão.

(    ) A superioridade de Melquisedeque ao sacerdócio levítico, 7:4-10 – se é evidente que o inferior é abençoado pelo superior, Melquisedeque é superior ao sacerdócio de Levi, pois este nem havia nascido quando aquele abençoou a Abraão e recebeu o dízimo de suas mãos.

(    ) A superioridade de Cristo ao sacerdócio levítico, 7:11-28 – os sacerdotes levíticos ofereciam sacrifícios cada ano. Cristo morreu uma vez por todas. Os sacrifícios deles eram ineficazes; o de Cristo removeu o pecado para sempre. Cristo continua a viver no poder de uma vida sem fim. É mediador de um concerto eterno; "eterno" é uma das palavras favoritas desta Epístola: salvação eterna, 5:9; juízo eterno, 6:2; concerto eterno, 13:2.

(    ) O Santuário Celeste e o novo pacto, 8:1-13 – Cristo trouxe à humanidade uma Nova Aliança. A primeira aliança centralizada ao redor dos cultos no Tabernáculo e nos Dez Mandamentos, já tinha cumprido seu propósito, 9:1-5. Suas leis foram gravadas em tábuas de pedra, 9:4. As leis de Cristo se escrevem nos corações, 8:10. A primeira aliança era temporária. A aliança de Cristo é eterna, 13:20. A primeira aliança foi selada com o sangue de animais. A aliança de Cristo foi santificada com Seu próprio sangue, 10:29. É uma aliança superior, com promessas superiores baseadas na imutabilidade da promessa de Deus,6:18.

Serviço Sacerdotal sob o Antigo Testamento, 9:1-28

(    ) Estabelecendo o ministro sacerdotal sob o antigo pacto, 9:1-10 – o ofício do sacerdote e sumo sacerdote era todo prescrito por leis estabelecidas por Moisés, cujo alcance fora limitado e não libertava plenamente o homem pecador, por isso era feito anualmente, com animais cujo sangue era derramado em favor do pecador penitente.

Estes versículos falam a respeito do Tabernáculo de Moisés. Este tabernáculo traz significados espirituais riquíssimos. Pretendemos, em breve, publicar estudo específico sobre o Tabernáculo de Moinés.

(    ) A importância do sangue em ambos os pactos, 9:11-28 – o uso abundante de sangue no ritual do antigo concerto prefigurava a necessidade urgente de um grande sacrifício pelo pecado humano, v.22. Cristo ofereceu-Se "uma vez por todas" 7:27. Seu sangue foi oferecido em favor dos homens uma única vez, pois Seu sacrifício foi eficaz, não necessitando ser repetido; aniquilou o pecado dando vida aqueles que crêem em Seu sacrifício na cruz.

(    ) A insuficiência dos sacrifícios sob a lei, contrastada com a eficácia e caráter do sacrifício de Cristo,10:1-18 – a ineficácia do sacrifício sob a lei se traduzia pela sua repetição anual, pois não tinha o poder de remoção do pecado. Cristo porém oferecendo-Se como oferta pelo pecado o fez através de um único e perfeito sacrifício. A Sua morte é plenamente suficiente para cobrir os pecados e apagá-los totalmente.

A PERSEVERANÇA DOS CRENTES, 10:19-12:29

(    ) Atitudes  a serem buscadas e atitudes a serem evitadas, 10:19-39 – a confiança em Deus fará com que ninguém retroceda nesta jornada. A certeza nas promessas feitas por Quem não pode mentir manterá de pé todo aquele que confiar em Sua palavra. A comunhão com os santos e a unidade preservada estimularão os corações a permanecerem firmes olhando firmemente para o autor e consumador da fé, Jesus. Por outro lado o desânimo e a desconfiança deixarão todos propensos a se afastarem dos princípios deixados pelo Senhor, e se desviarem para a perdição.

(    ) Fé e ação – Exemplos ilustres do passado, 11:1-40 – a galeria dos heróis da fé exibida  aqui deve estimular a cada um, tendo em vista o que cada um deles enfrentou, sem contudo retrocederem ou desanimarem um momento sequer, pois sua confiança estava depositada no Senhor e nas Suas promessas infalíveis. O seu exemplo nos serve de estímulo. Sua fé era  traduzida em ações concretas na Palavra declarada pelo Senhor.

(    ) Incentivos para a ação na cena presente e no alvo futuro, 12:1-29 – ninguém deve ser desencorajado pelo sofrimento, pois há provações que são o meio de Deus aperfeiçoar os Seus santos. Devem se guardar contra a impureza, para não perder sua primogenitura.

(    ) Últimos ensinos: Exortações, questões pessoais, bênção, 13:1-25 – esta epístola termina com ternos apelos para que sigamos a Cristo em todas as circunstâncias da vida em amor fraternal, bondade e pureza, com oração incessante e fé inabalável em Deus.

 

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