18. Estudo da Bíblia (Esboço: Gálatas)

AUTOR:  A  Galácia se localizava no centro da Ásia Menor, região da primeira viagem missionária de Paulo. Seus limites exatos são incertos. Incluía Icônio, Listra, Derbe e, provavelmente Antioquia da Pisídia. Os gálatas eram um ramo dos gauleses, originários do norte do Mar Negro, que se separaram da principal corrente migratória que se dirigiu ao oeste, à França, e se estabeleceram no centro da Ásia Menor no  terceiro século antes de Cristo. A este povo Paulo destinou sua carta que tem sido tradicionalmente reconhecida como uma das quatro "epístolas capitais" de Paulo; de fato;, tem sido reputada como padrão mediante o qual a autoria paulina de outros documentos pode ser medida com segurança.

Paulo fundara essas igrejas mais ou menos em 46-47 d.C. Tornou a visitá-las no curso de sua segunda viagem, cerca de 48 d.C., e outra vez ao partir para a terceira viagem    cerca de 53 d.C.  A data tradicional e geralmente aceita da redação desta epístola é cerca de 57 d.C., ao fim da terceira viagem, quando Paulo estava em Éfeso, Macedônia ou Corinto, pouco antes de escrever a epístola aos Romanos. Teria sido dez ou doze anos depois da fundação dessas igrejas, e nesse intervalo o apóstolo teria tornado a visitá-la duas vezes.

PROPÓSITO:   A epístola aos gálatas foi claramente escrita para convertidos pelo ministério de Paulo, que estavam à beira de adulterarem o Evangelho da liberdade cristã, que ele lhes teria ensinado, com elementos do legalismo judaico. Entre esses elementos a circuncisão tomava lugar de destaque; também incluíam a observação do calendário judaico (Gl 4:10), e possivelmente as leis dietéticas dos judeus. As "igrejas da Galácia" evidentemente haviam sido visitadas por judaizantes que lançaram dúvidas acerca da posição apostólica de Paulo e insistiam que, em adição à fé em Cristo que ele inculcava, era necessário que o crente fosse circuncidado e se conformasse noutros pontos com a lei judaica, a fim de que pudesse alcançar a salvação. Quando as notícias sobre essas coisas chegaram ao conhecimento de Paulo, o apóstolo escreveu a epístola aos gálatas, com grande urgência, denunciando esse ensinamento que misturava graça e lei, tachando-o de evangelho diferente - de fato, que nem evangelho era - daquele que lhes pregara no início em nome de Cristo, e exortando os seus leitores a se manterem firmes em sua liberdade cristã, não permitindo que seus pescoços fossem novamente aprisionados sob um jugo de escravidão.

Se a análise lógica da epístola como um todo nos desafia, pelos menos podemos reconhecer os argumentos principais que Paulo empregou em defesa da autêntica liberdade do Evangelho.

1. O Evangelho pregado por Paulo era o Evangelho que ele recebeu por comissão direta da parte de Cristo; chegava ao conhecimento de seus ouvintes com a autoridade de Cristo, e não com a autoridade de Paulo (1:11 e segs.)

2. Se a aceitação perante Deus pudesse ser obtida mediante a circuncisão e outras observâncias da lei judaica, então a morte de Cristo foi inútil e vã  (2:21).

3. A vida cristã, conforme os convertidos gálatas a conheciam por sua própria experiência, é um dom do Espírito de Deus.

4. Os judaizantes justificavam sua insistência sobre a circuncisão apelando para o exemplo de Abraão: visto que a circuncisão fora para ele o sinal da aliança firmada com ele, argumentavam, nenhuma pessoa não circuncidada poderia participar daquele pacto e receber suas bençãos. Porém, os verdadeiros filhos de Abraão são aqueles que são justificados pela fé em Deus, tal como Abraão o foi - esses é que desfrutam das bençãos prometidas a Abraão.

5. A lei pronuncia uma maldição contra aqueles que não a guardam em todos os seus detalhes; aqueles que colocam sua confiança na lei, portanto, ficam debaixo do perigo da maldição. Porém Cristo, mediante Sua morte na cruz, levou sobre Si a maldição; Seu povo, portanto, não deve recuar para pôr-se novamente debaixo da lei e de sua maldição consequente ( 3:10-14).

6. O princípio da observância legal pertence à época da imaturidade espiritual, agora que Cristo já veio aqueles que confiam nEle atingiram sua maioridade espiritual como filhos responsáveis de Deus. Aceitar os argumentos dos judaizantes era reverter à infância espiritual ( 3:23; 4:7).

7. A lei impunha um jugo de escravidão: a fé em Cristo traz a libertação. Aqueles que por Cristo foram emancipados seriam realmente insensatos se desistissem de sua liberdade e se submetessem novamente às imposições daqueles poderes elementares por meio de quem a lei foi mediada (4:8-11; 5:1; 3:19).

8. A liberdade que o Evangelho da graça proclama nada tem a ver com a  anarquia ou com a licenciosidade, a fé em Cristo é uma fé que opera pelo amor, e que dessa maneira cumpre a lei de Cristo ( 5:6; 5:13; 6:10).

ENRIQUECENDO OS CONHECIMENTOS:

Os Judaizantes: Eram uma seita dentre os cristãos judeus que, não querendo aceitar o ensino apostólico sobre a questão, Atos 15, continuavam a insistir que os cristãos tinham de ir a Deus por meio do judaísmo; que para um gentio ser cristão precisava tornar-se judeu e guardar a lei judaica.

Tomaram a peito visitar, agitar e perturbar as Igrejas gentílicas. Estavam apenas resolvidos a rotular Cristo com a marca da fábrica judaica. Contra isso Paulo se mostrou inexorável.  "Se a observância da lei tivesse sido imposta aos convertidos gentios, todo o trabalho da vida de Paulo teria sido arruinado". A expansão do Cristianismo, rompendo os diques de uma seita judaica, e tornando-se religião mundial, foi a paixão ardente de Paulo; para consegui-la, arrebentou todos os obstáculos e pôs nisso todo o seu esforço mental e físico durante mais  de trinta anos.

ESBOÇO PARA ESTUDO

INTRODUÇÃO:  1:1-9

(    ) Saudação de Paulo aos gálatas, 1:1-5 - Paulo antes de mais nada se apresenta como um apóstolo que fora escolhido e ensinado diretamente por Jesus Cristo, e não por homens.

(    ) O motivo da escrita: O desvio deles do Evangelho, 1:6-9 - Em seguida adverte aos seus destinatários do perigo que eles estavam incorrendo por estarem dando ouvidos a outro Evangelho, abandonando as boas novas da graça de Jesus Cristo. A esses, que desta forma procediam deveriam ser considerados malditos.

AUTORIDADE DE PAULO E AUTENTICIDADE DE SUA MENSAGEM, 1:10-2:21

(    ) Paulo pregava o Evangelho que Cristo lhe revelara, 1:10-24 - Estava determinado a fazer a vontade de Deus, mesmo que com isso viesse a desagradar aos homens. Desde seu nascimento o Senhor já o havia escolhido para revelar-Se nele. Tudo isso o estimulou a ouvir somente ao Senhor daí por diante. Algum tempo foi necessário para que a sua conversão fosse plenamente aceita por aqueles que outrora foram perseguidos por ele, mas quando o fizeram foi de todo o coração e davam glórias a Deus por isso.

(    ) O Evangelho de Paulo reconhecido por outros apóstolos, 2:1-10 - A submissão de Paulo é aqui demonstrada, sem contudo ser uma submissão cega e sem revelação de Deus. Os judaizantes tentavam de forma sutil manchar o ministério apostólico de Paulo; ele contudo, em nenhum momento se submeteu a tal legalismo. Até mesmo os apóstolos mais experientes se convenceram que o seu chamamento era genuíno, e lhe estenderam a destra de comunhão, convencidos de que ele tinha um ministério a cumprir entre os gentios.

(    ) O Evangelho de Paulo vindicado contra a transigência de Pedro, 2:11-21 - Não se diz quando esse fato ocorreu, porém pode-se fazer uma cronologia: Pedro recebeu o primeiro gentio convertido, Cornélio, sem circuncisão, Atos 10, provavelmente, cerca de 40 d.C.; nascia a igreja gentílica, em Antioquia, com aprovação de Barnabé, enviado de Jerusalém, Atos 11:22-24. Seguiu-se, em 45 d.C. esta viagem de Paulo com Tito a Jerusalém, onde Pedro juntou sua palavra de apoio ao ato de Pauloem receber gentios sem circuncidá-los. Logo depois disso, cerca de 46 d.C. deu-se essa viagem de Pedro a Antioquia, onde ele se separou dos gentios incircuncisos, e recebeu de Paulo uma veemente repreensão, v. 11.  Mas cinco ou seis anos depois no Concílio de Jerusalém, 48 d.C. Pedro foi o primeiro a manifestar-se em favor da obra de Paulo, Atos 15:7-11.

O CAMINHO DA SALVAÇÃO, 3:1-4:31

(    ) A salvação em Cristo é pela fé, não pelas obras, 3:1-14 - A fé é apresentada por Paulo como o único caminho para se obter a salvação. Os gálatas haviam recebido de bom grado a mensagem de salvação pela fé no início de seu caminhar, porém a persuasão dos judaizantes os levou a retroceder e apelar para as obras da lei, para continuarem em sua trajetória. Paulo os adverte até ironicamente do erro que eles estavam incorrendo se continuassem a dar crédito a outro Evangelho. O próprio Abraão é mencionado como exemplo de alguém que creu nas promessas, se tornando assim o pai de muitas nações como Deus o haviam prometido, isto é, pela fé e não pelas obras da lei, pois quem a observa por ela viverá.

(    ) A salvação em Cristo é pela promessa, não pela lei, 3:15-22 - A fé no Cristo do Calvário, dessa maneira os libertou para sempre da necessidade de buscar salvação pelas obras da lei. Essa busca, afinal de contas, é vã, pois a lei não traz salvação, nem foi dada com essa intenção. A salvação se cumpre pela promessa dada por Deus, e para obtê-la é necessário crer, pois quem prometeu não é homem para que minta, mas cumprirá plenamente Suas promessas dadas aos homens.

(    ) Os que confiam em Cristo são filhos, não escravos, 3:23-4:7 - A lei teve sua importância, isto é, conduzir a todos a Cristo e uma vez conhecido, a lei não exerce mais influência sobre os que agora são de Cristo. Aqueles que foram batizados em Cristo fazem parte agora do Seu Corpo e desfizeram as barreiras da raça e sexo, para dar lugar a unidade a qual mantêm esse Corpo coeso e unificado. Aqueles que são espiritualmente infantis precisam de alguém que os guie, pois são como escravos, porém a manifestação de Cristo veio para resgatar os que estavam sob a lei, para que se tornassem filhos e consequentemente herdeiros de Deus.

Súplica, 4:8-20

(    )  Por que se reverter para uma superstição escravizada? 4:8-11 - Os gálatas outrora antes do conhecimento da verdade eram idólatras e supersticiosos, mas a graça de Cristo veio e os libertou, contudo a insistência dos judaizantes os estava persuadindo a retornar às antigas práticas reprovadas pela verdade de Cristo. Paulo temia que todo o trabalho por ele executado entre eles em todo esse tempo com dedicação e sacrifício fosse considerado perdido.

(    ) Por que vos voltais contra mim e o meu ensino? 4:12-20 - A acolhida inicial dos gálatas feita a Paulo foi comovente, e ele a revela emocionado, porém os adversários, os judaizantes, enciumados com tudo isso, tentam criar animosidades entre o apóstolo e seus filhos na fé. Paulo entretanto os alerta para as " gentilezas" dos opositores, pois por detrás daquelas atitudes estava a insinceridade e a inveja. Seu desejo era que Cristo fosse formado plenamente neles, e não viesse a ser interrompido aquele processo de geração do Filho Varão.

(    ) Os que confiam na lei são escravos, e não filhos, 4:21-31 - Os que observam a lei viverão por ela, ou seja, nunca serão livres, mas escravos para sempre. Abraão figura largamente neste capítulo, porque o ensino judaico, por eles aceito, baseava-se amplamente na promessa feita a este patriarca. Interpretavam mal a promessa, como Paulo bem lhes mostrou nessa própria narrativa.

A VEREDA DA LIBERDADE, 5:1-6-10

(    ) Não se perca a liberdade pelo legalismo, 5:1-12 - Paulo não podia aceitar que um ser humano escolheria, deliberadamente, arriscar sua salvação, baseando-se em suas obras antes que na misericórdia graciosa de Cristo. É Cristo quem nos salva. Não nos salvamos a nós mesmos. É essa a diferença que há entre a liberdade e a servidão.

(    ) Não se abuse da liberdade com a licenciosidade, 5:13-26 - A liberdade em Cristo não quer dizer licença para continuar no pecado. Paulo não deixa de frisar bem isso. A carne continuaria a produzir o que é da sua natureza, no entanto o Espírito trará à luz o Seu fruto. A vida no Espírito deverá ser confirmada por um andar também no Espírito.

(    ) A liberdade se expressa pelo serviço, 6:1-10 - O cuidado para com os outros se evidencia na hora das provações. O mais espiritual deve corrigir ao faltoso com brandura e amor, e se necessário ajudá-lo a suportar sua carga. Uma das "leis espirituais do mundo natural" é que o homem "ceifa o que semeia" 6:7, lei inevitável em sua operação, quer se semeie trigo ou joio.

ÚLTIMAS PALAVRAS:

(    ) Vida de sacrifício em contraste com o legalismo, 6:1-18 - O lugar de se gloriar não é outro senão na cruz de Cristo. Os inimigos diziam que Paulo não era um genuíno apóstolo de Cristo. Seu corpo maltratado, contundido e coberto de cicatrizes era um testemunho a seu favor - ver 2 Co 4:6-11.

 

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