16. Estudo da Bíblia (Esboço: Primeira Epístola aos Coríntios)

AUTOR: A Primeira Epístola aos Coríntios é um dos escritos clássicos do apóstolo Paulo; acima de tudo ela preserva para nós tanto a doutrina apostólica da Igreja Primitiva, como a doutrina cristã cristalina. Nesta epístola encontramos os problemas enfrentados pelos primeiros cristãos gentios, e como Paulo moveu-se, com um coração de pastor, para ajudar aquela comunidade cristã.

A CIDADE DE CORINTO: Corinto possuía dois grandes portos, agindo como ponte terrestre entre o fluxo do comércio marítimo do oriente com o ocidente. Por isso dispunha de todas as vantagens de um comércio fácil, com o acompanhamento do luxo, da vida fácil e dos vícios que geralmente surgem nesses casos. Foi por essa razão que o vocábulo “corintianizar”, ou seja, “viver como um Corinto”, chegou a entrar no idioma grego e, conseqüentemente, ser usado por todo o império romano. Esse termo indicava uma vida moralmente depravada, entregue à devassidão. No Antigo Testamento, vemos que Sodoma e Gomorra também eram cidades onde havia grande depravação e o termo sodomia era utilizado para classificar as pessoas que praticavam a impiedade.

A cidade se tornou conhecida por seus vícios de concupiscência e cobiça, promovida por seu comércio. Havia muitos cultos pagãos, que consistiam em muitas centenas de prostíbulos, promoviam a concupiscência, através de atos profanos com sacerdotisas prostitutas. O termo “corintianizar”, também incluía o sentido de iniciar-se em práticas imorais; também a “donzela coríntia”, que simbolizava essa iniciação; e ainda “enfermidade coríntia”, que indicava os resultados venéreos desses pecados de imoralidade.

A população coríntia era extremamente cosmopolita e sua vida religiosa refletia a grande mistura de povos e costumes, exibindo aspectos altamente sincretistas. Contava com diversos cultos misteriosos como da adoração imoral a Afrodite. Este último culto se caracterizava sobretudo pela imoralidade e pela prostituição religiosa. Um escritor da época revala que havia em Corinto, dedicadas a esse culto, cerca de uma mil prostitutas religiosas, que tinham por principais divindades a Mãe Suprema, Melcarte, Serápis, Ísis e Afrodite. Ora, isso atraía um grande número de peregrino - ainda mais com o fluxo que havia em seus portos -, vindos do exterior, com o propósito declarado de se dedicarem à adoração religiosa. E assim, viver como um coríntio passou a significar uma vida entregue ao deboche.

Os trechos de 1 Ts 4:3-7 e Rm 1:18-27, ambos escritos por Paulo enquanto estava morando em Corinto, revelam o ensinamento apostólico a respeito destas práticas pagãs.

A IGREJA EM CORINTO: Paulo foi o primeiro apóstolo cristão a chegar à Grécia. Chegou em Corinto proveniente de Atenas (At 18:1-18). Ficou em companhia de um casal de judeus, Áquila e Priscila, que eram cristãos e tinham vindo de Roma, em face da expulsão dos judeus da capital do império. A igreja de Corinto, por conseguinte, teve início na casa deles; e Silas e Timóteo não se demoraram de vir reunir-se a Paulo em Corinto, liberando o apóstolo para trabalhar em prol do Evangelho, com grande intensidade em Corinto.

Depois da partida do apóstolo Paulo, chegaram a Corinto outros mestre do evangelho, entre os quais se destacava um rabino judeu convertido, de nome Apolo. Priscila e Áquila instruíram-no com maior precisão acerca da doutrina de Cristo (cf. At 18:24 e ss.).

Todavia, depois do afastamento do apóstolo Paulo, a igreja de Corinto desceu de forma alarmante quanto ao seu nível moral e espiritual. Estouraram divisões amargas; permitiram os vícios mais baixos entre eles; abusaram da liberdade cristã; deixaram-se influenciar por mestres legalistas, que ensinavam de modo contrário a Paulo; corromperam as formas cristãs de adoração, agindo de forma ultrajante, até mesmo quando da participação da Ceia do Senhor, comendo e bebendo em excesso, e negligenciando os pobres da igreja, que ficavam famintos e esquecidos. Também surgiram falsas doutrinas entre eles, sendo tolerados os falsos mestres, sobretudo aqueles que pervertiam o ensino acerca da ressurreição. Esses se tornaram os graves vícios da igreja em Corinto, condições que impeliram o apóstolo a escrever esta e a Segunda epístola à comunidade de Coríntios.

ESBOÇO PARA ESTUDO

INTRODUÇÃO, saudações e ação de graças – (1:1-9): ao usar a expressão “chamado”, Paulo deixa bem claro, desde o começo, que o seu apostolado não era obra sua, como também não era idealização humana, e, sim, uma chamada divina. A defesa do seu ministério era necessária, desde o início, pois na igreja local de Corinto tinham surgido dúvidas quanto à autoridade apostólica de Paulo.

PROBLEMAS DE DIVISÃO E FALTA DE UNIDADE NA IGREJA (1:10 a 4:21):

1. As causas e conseqüências da divisão são:

Versículos chave: 1:28, 29 e 3:3

(  ) Exaltação do ego e posição do homem, em detrimento de Cristo (1:10-17).

(  ) As divisões surgem por causa das preferências da alma, onde reside o orgulho e a sabedoria humana. A sabedoria humana é uma “loucura” para Deus. A cruz é a sabedoria de Deus apresentada aos homens (1:18-25).

(  ) A comunidade cristã dos coríntios não fora chamada dentre os sábios (1:26-31).

(  ) Paulo lhes dera exemplo de conduta humilde (2:1-5).

(  ) As divisões, ciúmes e contendas que havia na comunidade era evidência de infantilidade espiritual dos crentes, e revelavam que eles eram carnais. Eles estavam seguindo a homens e sua sabedoria, e não a revelação de Deus (2:6 a 3:4).

(  ) Os apóstolos verdadeiros não são rivais, mas trabalharam na mesma lavoura, de onde todo o mérito é de Deus (3:5-23).

2. Como o verdadeiro apóstolo deve ser julgado:

(  ) O apóstolo Paulo fala que “não devemos ultrapassar o que está escrito”, porque esta atitude provoca preferência por parte das pessoas e, como conseqüência, a divisão no Corpo (4:1-21).

 

IMORALIDADE E OS PADRÕES MORAIS DO CRISTIANISMO (5:1 a 7:40):

            Versículos chave: 5:7 6:12. 

( ) Paulo condena a imoralidade grosseira e seus frutos: a soberba e jactância. Esses elementos na natureza humana constitui-se um velho fermento, que deve ser lançado fora. Não se deve comemorar a Festa com fermento. A vida cristã deve ser caracterizada por uma pureza real, tal como durante a semana da festividade dos Pães Asmos era ordenado remover de cada casa todo o vestígio de fermento (5:1-13).

(  ) Paulo censura os processos legais entre irmãos (6:1-8).

(  ) O padrão do reino de Deus exclui os que se “corintianizaram” (6:9-11).

(  ) A liberdade cristão deve ser vivida com equilíbrio e cada um deve manter-se puro, pois nossos corpos são membros de Cristo (6:12-20).

(  ) Orientação apostólica a respeito do casamento e celibato (7:1-40). O casamento é uma ordenança divina que, dentre outras coisas, protege os crentes contra a impureza. Paulo comenta que o casamento é uma fonte de prazer para o homem e a mulher (vss. 3-6, cf. Dt 24:5). O cristão deve esforçar-se para santificar o seu parceiro incrédulo; também deve levar em consideração a situação e santificação de seus filhos. O divórcio, quando uma das partes não é cristão, é permitido quando a parte incrédula não deseja mais viver com o cristão e por isso o(a) cristão não se deve auto-condenar pois: “... como sabes se salvarás teu marido? ou tua mulher?”. O divórcio entre cristãos não é concedido, foi permitido apenas por causa da dureza do coração humano e em casos de pecado grave(cf. Mt 19:6-9). A unidade é algo que deve ser buscado com grande esforço e dedicação. O celibato, ou ficar solteiro para servir ao Reino, é um dom de Deus (cf. Mt 19:10-12).

A LIBERDADE CRISTÃ (8:1 a 11:1):

Versículos chave: 8:1.

(  ) Alimentos oferecidos a ídolos e a utilização dos mesmos pelo cristão (8:1-13).

(  ) Paulo deu o exemplo, renunciando a seus direitos (9:1-23).

(  ) Os perigos da obstinação (9:24 a 10:22):

a)     A necessidade de autodisciplina, ante as advertências dadas no deserto. O domínio próprio faz-nos ficar em pé, diante das tentações (10:1-13);

b)      O caráter destruidor da idolatria (10:14-22).

(  ) Declarações finais (10:23 a 11:1).

REGULAMENTOS SOBRE A ADORAÇÃO (11:24 a 14:40):

Versículos chave: 12:4-6.

(  ) O véu das mulheres é sinal de autoridade, e enfatiza a necessidade delas participarem do culto sobre cobertura espiritual (11:2-16).

(  ) A Ceia do Senhor era originariamente uma festividade, uma refeição, semelhante à celebração da Páscoa. Paulo repreende os corintos por causa da glutonaria e bebedeira. Havia basicamente três práticas realizadas por eles: A festividade (que consistia de uma refeição comum); o lava-pés e a Cia do Senhor (também chamada de agape, que significa “festa do amor”)(11:17-34).

(  ) O uso dos dons espirituais (12:1 a 14:40):

(  ) Os dons estão associado ao Espírito Santo, os serviços (ou comissionamento) no Corpo ao Cabeça Cristo e as realização são operadas pelo Pai (12:1-6).

(  ) O próposito e a classificação dos dons do Espírito (12:7-11).

(  ) Os dons são as ferramentas dadas para capacitar o cristão a exercer seu comissionamento e edificar o Corpo de Cristo (12:12-31).

(  ) Os dons devem operar pelo amor, que é a maior realização do Pai através dos membros do Corpo. Devemos andar no amor, e manifestar os dons sobre este fundamento (capítulo 13).

(  ) Vivendo o amor, devemos procurar os melhores dons, sobretudo o de profecia. Corrigindo os desequilíbrios quanto ao falar em línguas e a ordem no culto de adoração (capítulo 14).

A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS (15:1-58):

Versículo chave: 15:19

(  ) A tradição e o fato (o evangelho) (15:1-11).

(  ) O significado da ressurreição (15:12-19).

(  ) A ressurreição e a sua ordem (15:20-34).

(  ) A natureza da ressurreição. Os que ressuscitarem terão um corpo adaptado à nova realidade de vida, corpo glorificado e um espírito vivificado (15:35-50).

(  ) A transformação (15:51-58).

QUESTÕES PESSOAIS (16:1-24):

(  ) Coleta para os santos pobres de Jerusalém (16:1-4).

(  ) Os planos de Paulo sobre o futuro (16:5-12).

(  ) Exortações finais, saudações e bênção (16:13-24).

 

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