07.Estudo da Bíblia (Parte VII Fundo Hitórico NOVO TESTAMENTO)

I) Período Intertestamental

O período entre os Testamentos pode ser lembrado sabendo-se que houve quatro períodos distintos em que esses 400 anos podem ser divididos:

·O Período Persa: 430-322 a.C.;

·O Período Grego: 321-167 a.C.;

· O Período da Independência: 167-63 a.C.;

·O Período Romano, 63 a.C. até Jesus Cristo.

a) Pérsia

Ao encerrar-se o A.T., a Judéia era uma província da Pérsia. A Pérsia foi a grande potência mundial durante cerca de duzentos anos, e foi mais ou menos na metade desse período que Israel seguiu para o cativeiro. Os reis persas desse período foram: Artaxerxes I. Sob seu governo, Neemias reconstruiu Jerusalém. Xerxes II, Dario II e Artaxerxes II, são nomes familiares entre nós, como reis persas que governaram durante esse tempo.

Usualmente os persas eram povo clemente, e tanto a autoridade civil como a autoridade religiosa foram restabelecidas em Israel, durante este período. O império persa caiu sob Dario III, em cerca de 331 a.C.

b) Os Gregos

Com a queda da Pérsia, o equilíbrio do poder mundial passou da Ásia para o Ocidente, para a potência crescente dos gregos. Quase todos nós sabemos sobre Alexandre, o Grande, o qual, com a idade de vinte anos, assumiu o comando do exército macedônio, reduzindo aos seus pés todas as demais potências, tendo varrido o Egito, a Assíria, a Babilônia e a Pérsia. A capital de seu império era a cidade de Alexandria.

Alexandre conquistou a Palestina em cerca de 332 a.C., poupou a cidade de Jerusalém e disseminou a língua e cultura grega por toda parte. Por causa das marchas forçadas e bebidas imoderadas, Alexandre veio a morrer com apenas 33 anos de idade, em 323 a.C. Quando de seu falecimento, morreu também a idéia de um governo mundial, e, em cumprimento da profecia de Daniel (Dn 11:4, 5), o seu reino foi dividido. O Império foi repartido entre os quatro generais de Alexandre.

Durante cerca de 100 anos, os judeus estiveram dispersos, e Alexandria serviu de importante centro político e cultural, o que propiciou meios do V.T. ser traduzido par o grego, tradução essa que tomou o nome de “Septuaginta”, representando também pelo símbolo “LXX” (que significa “70” em latim), por causa da tradição que foi completada em 70 anos, por setenta e dois tradutores judeus da Palestina. O grego era a língua universal naquele tempo. Nos dias de Jesus e dos apóstolos, a Septuaginta era de uso comum. O Novo Testamento foi escrito em grego. Muitas citações suas do A.T. são feitas da Septuaginta.

c) Os Macabeus e a Independência

O período de independência israelita também é conhecido como período macabeu. Matatias, um sacerdote, tinha cinco filhos, de nome Judas, Jônatas, Simão, João e Eleazar. Judas foi guerreiro de habilidade extraordinária, tendo reunido as forças necessárias para a libertação dos judeus. Em 165 a.C., Judas purificou e reconsagrou o templo, e esse acontecimento passou a ser comemorado pelaFesta da Dedicação. Um período de 100 ano de independência seguiu-se a partir daí. Porém, essa liberdade terminou em 63 a.C., quando os romanos conquistaram a Palestina.

d) Período Romano

Em 63 a.C., os romanos, comandados por Pompeu, tomaram a Palestina. Antípatre, um idumeu (edomita, descendente de Esaú), foi nomeado governador da Judéia. Com Antípatre é que começou o governo dos Herodes, tão bem conhecidos nos Evangelhos e em Atos. Lembre-se que os filhos de Esaú nutriam muito ódio dos Judeus.

Herodes, o Grande – “Rei dos Judeus”: Ele foi o filho de Antípatre. No tempo do governo de Herodes, o Grande, é que nasceu Jesus. Este foi o Herodes que procurou matar a Jesus, por ameaçar seu governo sobre Jerusalém, e mandou matar todos os meninos de Belém e de sua vizinhança. Ele morreu logo em seguida, por volta de 4 a.C.; Mt cap. 2. Era-lhe atribuído o título “Rei dos Judeus”.

Após a morte de Herodes, seu reino foi dividido em três porções, administrado por três de seus muitos filhos. A Judéia e Samaria ficou nas maus de Arquelau (Mt 2:22). Filipe ficou com os distritos ao norte e a leste da Galiléia (veja “Cesaréias de Filipe”; Mt 16:13; Lc 3:1). A Galiléia e a Peréia ficaram comAntipas (também era chamado de Herodes o Tetrarca). Arquelau recebeu a região da Judéia, a Samaria e a Iduméia. Antipas e Filipe governaram até bem depois da crucificação de Jesus.

Herodes, o Tetrarca: Também chamado de Antipas é lembrado, nos evangelhos, como aquele que prendeu, encarcerou e executou a João Batista; Lc 3:19; 9:7. Divorciou-se de sua esposa, a fim de casar-se com Herodias, esposa de seu meio irmão (Herodes Filipe), e foi por causa disso que João Batista o acusou. E também como aquele que teve breve encontro com Jesus, quando do julgamento;Lc 23:7. Esse Herodes terminou os seus dias no exílio.

Herodes Agripa: É chamado, em At 12:1, de Herodes, o rei. Era neto de Herodes, o Grande, e irmão de Herodias. Ele assediou os apóstolos (ver At 12:2) e matou Tiago, o irmão de João. A sua morte, súbita e horrível, é registrada por Lucas em Atos 12:20-23, sendo atribuída a um julgamento divino. Seu filho único, também chamado de Agripa, veio a governar todos os territórios dominados por seu pai. Suas duas irmãs, Berenice (At 25:13) e Drusila (At 24:24; 26:28-30), duas sobreviventes da família, viveram nos dias do apóstolo Paulo.

e) A Palestina ao Tempo de Jesus

Os Zelotes: As alterações políticas e econômicas resultantes do governo romano, causaram uma oposição ainda mais intensa por parte dos judeus, o que levou à revolta encabeçada por Judas, o Galileu (At 5:37). Após esta experiência, Roma apertou ainda mais o seu domínio sobre Israel. Alguns acreditam que o partido político radical chamado de “os zelotes se originou nessa ocasião. O lema da organização dos zelotes passou a ser: “A espada, sem nada poupar; e não há rei senão Yahweh”. Os zelotes eram extremistas e tiveram outros líderes revolucionários, mas suas revoltas foram destruídas pelos Herodes.

Os Saduceus: Os saduceus eram judeus que tomavam o partido dos helenistas e eram favoráveis à adoção dos costumes gregos. Não participaram da luta dos Macabeus em prol da liberdade de sua nação. Constituíam uma facção sacerdotal, e apesar de serem os oficiais religiosos de seu povo, eram franca e declaradamente irreligiosos. Não eram numerosos, mas ricos e influentes.

Os Escribas: Os escribas eram copiadores das Escrituras. Sua profissão era antiqüíssima e de grande importância antes do advento da imprensa; 2 Cr 2:55. Sua função era estudar, interpretar, tanto quanto copiar as Escrituras. Em virtude de sua familiaridade minuciosa com a lei, chamavam-se também doutores dela e eram reconhecidos como autoridades. As decisões de escribas eminentes tornaram-se lei oral, ou “tradição”. Bem numerosos no período dos Macabeus, vieram a ser muito influentes no meio do povo. Há muitas passagens bíblicas que censuram a forma como os escribas interpretavam as Escrituras; Jr 8:8; Mt 5:20; 16:21.

Os Fariseus: O nome significa “separados”. Os fariseus surgiram como grupo distinto em cerca de 40 a.C. Geralmente eram pessoas comuns, do povo, em contraste com os saduceus. No princípio o movimento tinha por intuito defender e purificar a fé ortodoxa. Eram eles os porta-vozes da opinião das massas. Após algum tempo, desenvolveram pesado legalismo ritualista, que obscureceu seus propósitos originais. Os fariseus, tal como os saduceus, constituíam o “concílio” ou sinédrio, que era o principal tribunal judaico.

Jesus estava sempre reprovando a forma legalista dos escribas e fariseus interpretarem as Escrituras e de ensiná-La ao povo  Mt cap. 23. Veja também como João Batista reprovava os fariseus e saduceus;Mt 3:7.

O Sinédrio: O tribunal supremo reconhecido dos judeus no tempo de Cristo. Compunha-se  de 70 membros, na maioria sacerdotes, e saduceus nobres, alguns fariseus, escribas e anciãos (cabeças de tribo de família), presidido pelo sumo sacerdote. Desapareceu com a destruição de Jerusalém, 70 d.C.

As Sinagogas: A palavra grega significa “trazer com”, ou seja, assembléia, que era o lugar onde a assembléia se congregava. Usualmente o edifício tinha forma triangular. Todas as sinagogas foram destruídas pelos romanos, em 70 d.C. Provavelmente as sinagogas tiveram sua origem no primeiro cativeiro, em substituição ao templo, quando o povo não tinha acesso a tal lugar de adoração. A sinagoga, então, tornou-se parte da vida religiosa dos judeus. No tempo de Jesus havia sinagogas em qualquer vila, e em Jerusalém seu número era de cerca de 450. Além dos cultos regulares aos sábados e em dias especiais, os judeus se congregavam no segundo e no quinto dia da semana, para orar e ler as Escrituras.

Os oficiais das sinagogas eram: 1. Os chefes (Lc 8:49; 13:14; At 18:8, 17). Eram os responsáveis pelo arranjo dos cultos e pela execução da autoridade na comunidade. 2. Os presbíteros – anciões – (Lc 7:3; Mc 5:22; At 13:15), que formavam um concílio sob a autoridade dos “chefes”. 3. Os “legatus”, que operava como leitor das orações  como mensageiros. 4. O assistente (Lc 4:20), que preparava e cuidava dos livros, limpava a sinagoga, fechava e abria suas portas, etc. A sinagoga era usada como escola religiosa para as crianças, bem como para reuniões especiais.

f) A Destruição de Jerusalém

Durante um período de aproximadamente 20 anos após a morte de Jesus, as tensões em Roma e Jerusalém foram se agravando. O desastre como que pairava no ar, e a profecia de Jesus, sobre a destruição de Jerusalém, deve ter sido o tópico das conversas entre as famílias cristãs. De fato, qualquer um que quisesse interpretar os acontecimentos, por essa altura poderia ver quão facilmente a profecia feita por Jesus se cumpriria.

Finalmente, em 66 d.C. a tempestade que se vinha concentrando e que ameaçava por tanto tempo, irrompeu de súbito. Durante quatro anos a ira de Roma se fez sentir na Palestina. Jerusalém caiu finalmente, e vastas áreas, por toda a Palestina, foram destruídas. E essa destruição foi tão completa que a arqueologia não tem sido capaz de identificar, sem qualquer sombra de dúvida, nenhuma das sinagogas que havia em Israel no século I de nossa era. Grandes números de judeus foram crucificados em Jerusalém, até não poder mais encontrar-se madeira para continuar fabricando cruzes. O belo templo construído por Herodes foi arrasado e queimado, não ficando “pedra sobre pedra”, cumprindo assim a profecia de Jesus; Mt 24:2.

Os cristãos, lembrando-se da profecia de Jesus, para que fugissem ante a destruição, fugiram para Pela ao saberem que a dianteira dos exércitos romanos não estava longe. Por causa dessa fuga, seus companheiros judeus não-cristãos jamais os perdoaram. Os terríveis clamores dos judeus que haviam crucificado a Jesus, exclamando: “Caiai sobre nós o seu sangue, e sobre nossos filhos”Mt 27:25; e: “Não temos rei, senão César”Jo 19:15, devem ter ressoado os ouvidos de muitos, durante aqueles dias horrendos. Jerusalém caiu, o sinédrio foi extinto, e Roma passou a governar suprema sobre a terra de Israel.

II) AS LÍNGUAS DA BÍBLIA

Hebraica: Com exceção das passagens em aramaico (como veremos a seguir), o Antigo Testamento foi escrito originalmente na língua hebraica. O nome deriva de Heber, um ancestral de Abraão, descendente de Sem (Gênesis 10:21,22, 25; 11:15-26).

Aramaico: Partes do livro de Daniel e Esdras estão neste idioma, pois nesta ocasião, eles viviam no cativeiro babilônico. O aramaico foi adotado obrigatoriamente pelos judeus por causa do Cativeiro Babilônico. Exerceu tal pressão sobre a língua nacional (Hebraica), que já no primeiro século antes de Cristo, o havia substituído completamente. O hebraico permaneceu apenas como língua dos sacerdotes, dos eruditos e da literatura religiosa dos judeus.

Quando Jesus nasceu, era a língua oficial dos judeus. Certamente, Jesus e seus discípulos falavam o aramaico.

Grega: Todos os livros do Novo Testamento foram escritos na língua grega, também chamada de “Koinê”, que significa popular, comum. O Grego Clássico era falado principalmente na Capital do Império Grego (na Grécia), e era usado pelos grandes filósofos da terra ou pelos eruditos. Na época de Alexandre, o Grande, quando este anexou muitos povos ao seu Império, ele obrigou que todos os povos conquistados falassem o grego. Como o método de aprendizado não era muito técnico, o grego clássico foi sendo despido de sua alta técnica gramatical, tornando-se uma língua bem popular (Koinê), em todo o vasto Império de Alexandre. O Novo Testamento foi escrito no Grego Koinê. Apenas o apóstolo Paula usa alguns termos do grego clássico, mais apurado.

O Novo Testamento foi escrito em cerca de 50 a 100 anos. Nessa época, os povos da Palestina falavam três idiomas: O Aramaico, língua usada entre os judeus, aprendida na Babilônia. O Hebraico, conservada pelos sacerdotes e líderes religiosos judeu. E o Grego, usado na comunicação geral, principalmente em documentos e transações comerciais.

O Novo Testamento é formado por 27 livros classificados em:

Evangelhos
Relatam a vida, os feitos e ensinamentos de Jesus.

Mateus
Marcos
Lucas
João

Histórico
Registra a história da Igreja Cristã Primitiva, agindo no poder do Espírito Santo.
Este livro, escrito por Lucas, não tem um fechamento, significando que as promessas nele contidas não se restringem apenas à Igreja cristã daquela época.
Relata também a promessa de Jesus sendo desprezada pelos Judeus o que resultou com que fosse para toda a humanidade "até os confins da Terra".

 Atos

Epístolas Paulinas
Cartas de exortação, correção e ensino que o apóstolo Paulo enviava às igrejas e pessoas.
Romanos
I e II Coríntios
Gálatas
Efésios
Filipenses
Colossenses
I e II Tessalonicenses
I e II Timóteo
Tito
Filemon
Hebreus

Epístolas Gerais
Cartas dos demais apóstolos, também enviadas as igrejas.

Tiago
I e II Pedro
I, II e III João
Judas

Profético ou Escatalógico
Estudo das coisas finais , pertencentes à história humana.

Apocalipse

 

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