06. Estudo da Bíblia (Parte VI - Os Profetas)

PROFETAS MAIORES (5 LIVROS):

Os profetas eram comumente chamados de “homem de Deus”, “servos de Deus” ou “vidente”; 1 Sm 9:9. O primeiro homem a ser chamado de profeta, na Bíblia, foi Moisés; Dt 34:10. Os profetas recebiam a Palavra do Senhor de diversas formas: face a face, como foi com Moisés; por meio de sonhos e visões; Nm 12:6, 7. Muitas vezes é dito, apenas, “a palavra do Senhor veio”. Nm 11:25-30, mostra que os profetas atuavam na unção do Espírito de Deus (cf. Mq 3:8).

Normalmente os profetas transmitiam a Palavra de Deus de forma falada ou ensinada. Algumas vezes, porém, os profetas falavam a Palavra através de parábolas ou alegorias. Outras vezes através de ações ou gestos: Isaías teve de andar despido e descalço, Is cap. 20; Jeremias despedaçou o vaso do oleiro no lugar dos cacos de barro, Jr cap. 10; Aías rasgou sua roupa nova em doze pedaços e entregou dez pedaços a Jeroboão, 1 Rs 11:29 e segs; Ezequiel não lamentou por sua esposa falecida, o que foi como um sinal para Israel, Ez 24:15-24.

As profecias vindas pelos profetas podem ter seu cumprimento em várias fases e épocas, repetindo-se, inclusive. Quando você está de viagem, por uma estrada longa e com muitas montanhas, observa uma paisagem e pensa que, numa cadeia de montanha, uma está bem próxima da outra. À medida que você se aproxima de uma montanha, percebe que entre uma e outra há uma longa distância. Assim são, muitas vezes, as visões tidas pelos profetas. Os fatos futuros, às vezes apresentados como apenas “uma paisagem”, se desdobram em um, dois ou três cumprimentos proféticos.

Oxalá, todo o povo de Deus fosse profeta”. Este clamor de Moisés mostra que é da vontade de Deus que todos os seus filhos conheçam a Sua voz, Sua vontade e Palavra. A linhagem profética não terminou com Malaquías, mas continuou no Novo Testamento. Vimos o profeta João Batista, Ágabo (At 11:28; 21:10, 11) etc. Todo crente é potencialmente um profeta. O derramamento do Espírito sobre toda a carne, todos os filhos de Deus, traz consigo os seus próprios resultados: “e profetizarão” (At 2:18). Paulo exortou aos cristãos de Corinto que procurassem “com zelo os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis”; 1 Co 14:1. Também falou: “Porque todos podereis profetizar, um após outro, para todos aprenderem e serem consolados”vs. 31. Vemos isso acontecendo realmente no caso dos Efésios, em At 19:6, no caso das filhas de Filipe, At 21:9, e no caso dos homens e mulheres da igreja de Corinto, 1 Co 11:4, 5. Também havia muitos profetas e mestres na igreja em Antioquia, At 13:1. Apóstolos, profetas e mestres, são ministérios que têm autoridade no ensino e cooperam para a edificação do Corpo de Cristo, 1 Co 12:28; Ef 4:7-16.

A classificação em Profetas Maiores e Menores baseia-se, simplesmente, pelo tamanho dos livros.

Fundo histórico: Por 300 anos a Assíria, no vale do Norte do Eufrates, capital Nínive, havia dominado o mundo, mas agora ia se enfraquecendo. A Assíria invadiu o Reino do Norte de Israel, período em que profetizou Isaías, Jonas, Amós e Oséias. Depois se levantou, Babilônia, no vale do Sul do Eufrates, tornando-se poderosa, quebrando o império Assírio em 609 a.C, e por 70 anos regeu o mundo, os mesmos 70 anos do cativeiro do povo judeu, conforme declarações dos profetas. Neste período profetizaram Jeremias, Ezequiel e Daniel.

A Assíria fora fundada, alguns tempos antes de 3000 a.C., por colonizadores saídos de Babel. OImpério Assírio foi que destruiu Israel. A política assíria era deportar para outras terras os povos conquistados de modo a extinguir neles o sentimento nacionalista e sujeitá-los mais facilmente. Os assírios eram grandes guerreiros.  Era um povo cruel. Esfolavam vivos seus prisioneiros, ou cortavam-lhes as mãos, os pés, o nariz, as orelhas, ou lhes vazavam os olhes, ou lhes arrancavam a língua; faziam montes de caveiras humanas, tudo para inspirar terror. Por isso os profetas se dirigiam Nínive, capital da Assíria como “cidade sanguinária”; Nm 3:1.

Foi o Império Babilônico que abateu a força da Assíria e que no seu avanço para o oeste, destruiu Judá e conquistou o Egito. Nabucodonosor foi o maior rei babilônico, um dos mais poderosos monarcas de todos os tempos. O império babilônico em grande parte foi obra sua. Foi ele quem levou os judeus ao cativeiro, inclusive Daniel e Ezequiel.

Isaías (Is): Isaías é chamado de “Profeta Messiânico”, por ser o que mais trouxe profecias a respeito de Jesus e Seu Reino. Foi citado no NT mais do que outro profeta. O seu ministério foi longo, desde a sua chamada à missão profética no reinado de Uzias, rei de Judá, através dos reinados de Jotão, Acaz e Ezequias, cerca de 40 anos. Ele profetizou sobre os significados gerais dos acontecimentos políticos da época e teve clareza de visão sobre o ministério do Messias.

Jeremias (Jr): Jeremias profetizou durante a parcial devastação de Jerusalém, em 605 a.C; e outra vez devastada em 597 a.C.; finalmente incendiada e assolada em 587 a.C, pelos babilônicos. Jeremias assistiu às agruras desses terríveis quarenta anos: “o fim da monarquia”, “a agonia e morte da nação”. Ele trouxe as últimas mensagens de Deus à Cidade Santa que se apegara desesperadamente e fanaticamente aos ídolos. Jeremias bradava incessantemente que se arrependessem. O reino do Norte havia caído, agora, pouco a pouco, Jerusalém fora destruída, pelos babilônicos.

Jeremias, sem cessar, advertia Jerusalém para que se rendesse ao rei da Babilônia, tanto assim que seus inimigos o acusaram de traição; capítulo 20. Nabucodonosor, rei da Babilônia, recompensou-o por essa advertência ao povo, não só lhe poupando a vida, mas lhe oferecendo uma honraria qualquer que ele quisesse aceitar, até mesmo uma dignidade na corte babilônica; 39:11... Todavia, Jeremias bradava, alto e de contínuo, que o rei da Babilônia estava cometendo um crime hediondo na destruição do povo do Senhor, e por essa causa, no devido tempo, esse país seria assolado e para sempre, caps.50 e 51.

Lamentações (Lm): O último capítulo de Jeremias, sobre o incêndio de Jerusalém e o começo do exílio babilônico, deve ser lido como introdução a este livro, escrito pelo próprio Jeremias. Depois de Jerusalém ter ficado devastada, Jeremias sentou-se a chorar e proferiu essa lamentação sobre ela. Segundo reza a tradição, Jeremias chorou lágrimas amargas, e compôs estas Lamentações na “Gruta de Jeremias”. Essa gruta fica sob o outeiro que hoje se chama “Gólgota”, a mesma colina onde foi levantada a cruz de Jesus.

O livro consiste de cinco poemas, quatro dos quais são acrósticos, isto é, cada verso começa com uma letra do alfabeto hebraico, na mesma ordem alfabética. Em cada um dos capítulos, 1, 2 e 4 há 22 versos, um para cada letra. No capítulo 3 havia 3 versos para cada letra, perfazendo 66 ao todo. Já o capítulo 5 tem 22 versos, porém não em ordem alfabética.

Ezequiel (Ez): Ezequiel foi profeta do cativeiro, foi contemporâneo de Daniel. Daniel profetizou no palácio, Ezequiel no campo. Profetiza a glória do Senhor saindo do Templo, mas voltaria em um tempo de Restauração. Tanto Ezequiel como Jeremias eram sacerdotes e profetas, sendo Jeremias mais velho. Ezequiel pode ter sido seu discípulo.

O livro de Ezequiel é considerado o Apocalipse do AT. Isso porque algumas das visões de Ezequiel parecem estender-se ao livro do Apocalipse de João: Ez 1, Ap 4; Gogue e Magogue, Ez 38, Ap 20; a ordem de comer o livro, Ez 3, Ap 10; a Nova Jerusalém, Ez 40-48, Ap 21 e o rio de Água da Vida, Ez 47, Ap 22.

A missão de Ezequiel foi explicar e justificar a ação divina em causar ou permitir o cativeiro de Israel, que foi devido às abominações e idolatria que esse povo se fez culpado. Por esse castigo chegaria a saber que o Senhor é Deus. O que aconteceu de fato. O Cativeiro Babilônico curou-os da idolatria.

Podemos dividir o livro de Ezequiel nos seguintes capítulos: 1 a 3 - chamado e comissionamento do profeta; 4 a 24 – iniqüidade de Israel e queda de Jerusalém; 25 a 32 – profecias contra as nações vizinhas; 33 a 37 – ânimo ao povo; 38 e 39 – um novo levante contra Israel; 40 a 48 – conclusão do livro (promessa de restauração).

Daniel (Dn): Quando ainda jovem, Daniel foi levado para a Babilônia, onde viveu durante todo o período do cativeiro, desempenhando elevada função nos Império Babilônico e no seu sucessor, o Império Persa. O capítulo 2 contém a importante interpretação que Deus deu sobre o “Sonho da Grande Estátua”. Os quatro impérios mundiais aqui preditos, são o Babilônico (cabeça de ouro), o Medo-Persa (peito e braços de prata), o Grego (ventre e quadris de bronze) e o Romano (pernas de ferro) e os dez reinos (nações) que surgiram após a queda do Império Romano (pés com dez dedos de ferro misturado com barro). Da época de Daniel à vinda de Jesus Cristo, o mundo foi governado por estes quatro impérios, exatamente como ele predisse. Nos dias do Império Romano, conforme a interpretação dada a Daniel, Cristo apareceu e estabeleceu um Reino que, começando como um grão de mostarda encherá toda a terra; 2:44, 45.

Daniel era amigo e conselheiro de Nabucodonosor, que foi o genial e verdadeiro edificador do império babilônico. O livro conta a loucura e a conversão de Nabucodonosor; capítulo 4.

Profetas Menores (12 livros):

Fundo histórico: Uns 200 anos antes da época de Oséias, dez tribos, dentre as doze, separaram-se do reino de Davi e se constituíram em reino independente (Reino do Norte – Israel), tendo o bezerro de ouro (do deserto) como seu deus nacional (1 Rs 12:25-33). Por isso Deus enviara os profetas Elias, Eliseu, Jonas, Amós e Oséias para falar a Seu povo.

Os profetas Oséias, Joel, Amós, juntamente com Ageu, Zacarias e Malaquías, são considerados Profetas da Restauração, pois profetizaram a promessa divina da volta do cativeiro babilônico, 538 a.C., no período da reconstrução do Templo e da cidade de Jerusalém, 520-516 a.C. (confira Esdras 5:1).

Oséias (Os): Este foi um profeta que dirigiu suas mensagens ao reino do Norte (Israel). Oséias recebeu ordem de Deus para tomar uma esposa de “prostituição”, 1:2. Israel, como “noiva” de Deus (Ez 16:8-15), o havia abandonado, entregando-se ao culto de outros deuses, como mulher casada que se entrega a outro homem. Assim, “prostituição” era termo que convinha à nação, como um todo, em seu adultério espiritual, e não implica necessariamente em que Gômer fosse pessoalmente uma mulher devassa. Algo da linguagem aplica-se literalmente à família de Oséias, outro tanto à nação de Israel, figuradamente.

O casamento de Oséias foi uma ilustração daquilo que pregava. Mais tarde ele recupera sua esposa, 3:1-5, quando a compra de volta. Tudo isso tinha como figura profética da permanência de Israel por “muitos dias sem rei e sem sacrifício”. Até os nomes dos filhos de Oséias, têm relação profética com as principais mensagens de sua vida, “Jezreel”, 1:4, 5, o primogênito. Jezreel era um vale de batalha. Com este nome do filho, Oséias estava dizendo ao rei e à nação: a hora do castigo chegou. “Lo-Ruama”, 1:6, o segundo filho, uma menina, que significa: “Não há mais misericórdia”, 1:9. O terceiro filho, “Não-meu-povo”, um jogo de palavras, referindo-se ao tempo em que outras nações seriam chamadas povo de Deus, 1:10, passagem que Paulo cita como significado a extensão do evangelho aos gentios, Rm 9:25.

Joel (Jl): Fome aterradora, causada por uma praga de gafanhotos sem precedente, seguida de prolongada seca, devastara o país. Os quatro diferentes termos usados em 1:4 indicam diferentes espécies de gafanhotos, ou diferentes estágios em seu crescimento. Deus ouviu os clamores de Seu povo, afastou os gafanhotos e prometeu restituir tudo em dobro. Essa praga ofereceu ocasião ao profeta para falar de um juízo mais terrível, ainda por vir, do “dia do Senhor”.

Comumente, na Bíblia, uma profecia pode ter um, dois ou três cumprimentos, em épocas diferentes. Veja o estudo “Sião Destruída e Restaurada”, que comenta sobre o significado profético das visões de Joel.

Amós (Am): Amós foi profeta de Judá, o reino do Sul, tendo uma mensagem para Israel, o reino do Norte, nos reinados de Uzias, rei de Judá. Amós foi contemporâneo de Jonas e possivelmente conheceu Eliseu e Joel, pois também fala da praga de gafanhotos, 4:9.

Obadias (Ob): Obadias profetizou que os edomitas seriam “exterminados para sempre” e seriam “como se nunca tivessem sido”, e que um restante de Judá seria salvo, e que o reino do Deus de Judá ainda prevaleceria. Edom era a cordilheira de montes rochosos a lesta do Vale de Arabá. Os edomitas eram descendentes de Esaú, sempre inimigos rancorosos dos israelitas.

Jonas (Jn): O livro de Jonas contém detalhes maravilhosos de como Deus preparou o filho do profeta Amitai para o ministério. O livro, em nossas Bíblias, está muito bem divido em quatro capítulos. Noprimeiro capítulo vemos Jonas fugindo da presença do Senhor, fugindo da responsabilidade de seu comissionamento. Jonas tomou um navio que seguia na direção de Társis, oposta ao caminho de Nínive[1], para onde Deus o havia mandado. Foi, então, que o Senhor lançou sobre o mar um forte vento que causou uma grande tempestade (tufão), que tornava o mar cada vez mais tempestuoso, e os marinheiros acabaram por lançar Jonas no mar, conforme sua própria sugestão. Em seguida, Deus enviou um grande peixe que tragou a Jonas, e este esteve três dias e três noites na barriga do peixe.

No segundo capítulo vemos o filho do profeta chegar no “fundo do poço” - na realidade, no fundo do mar, dentro da barriga do grande peixe. Na barriga do grande peixe, “com as águas o cercando até à alma, o abismo o rodeando, e as algas se enrolando na sua cabeça”, Jonas se sentiu como se estivesse morto. Ali, quando sua alma já desfalecia, ele se lembrou do Senhor e se arrependeu (Isso faz lembrar a Parábola do Filho Pródigo, não?). A oração de Jonas era para que o Senhor tirasse sua vida da “sepultura” (da morte). Ele mesmo clama: “fizestes subir da sepultura a minha alma”. Jonas, dentro da barriga do grande peixe, teve a certeza de que a sua oração subiu até à presença do Senhor, então fez a promessa de oferecer sacrifícios a Deus, com muita gratidão, depois que Ele o tirasse daquela situação de morte.

No capítulo três vemos Jonas, ainda não de livre vontade - mas vomitado na terra pelo peixe -, executar a ordem do Senhor para pregar o arrependimento em Nínive. Sua pregação levou os cidadãos ninivitas ao arrependimento de seus perversos caminhos, conforme Jesus confirma a veracidade dos fatos ocorridos com Jonas em Mateus 12:41.

Por fim, no capítulo quatro e último, vemos Jonas indignado por causa do arrependimento dos violentos ninivitas e da misericórdia de Deus - “... pois sabia que és Deus clemente, e misericordioso, tardio em irar-se e grande em benignidade, e que te arrependes do mal”4:2b. Mas o Senhor lhe dá uma grande lição: Induziu Jonas a ter compaixão de uma planta que lhe foi muito importante para seu descanso. O Senhor ensinou que ele deveria ter compaixão por todos os povos, inclusive da grande cidade de Nínive. Deus queria gerar, no filho do profeta, Seus grandes atributos: Sua BENIGNIDADE, MISERICÓRDIA e COMPAIXÃO.

Miquéias (Mq): A mensagem de Miquéias dirigia-se a Israel e Judá, endereçada primeiramente às respectivas capitais, Samaria e Jerusalém. Seus principais temas eram: os pecados, a destruição e a restauração deles. As mensagens de Miguéias são semelhantes às de Isaías.

Naum (Na): Dos profetas, dois ocuparam-se só de Nínive: Jonas, cerca de 780 a.C., e Naum, mais ou menos em 630 a.C.: A mensagem de Jonas foi de misericórdia; a de Naum, de condenação. Juntos, ilustram o modo de Deus tratar com as nações: prolongando o dia da graça, mas no fim castigando-as por seus pecados. O livro indica que a queda de Nínive era iminente. Ocorreu em 612 a.C. Como Nínive é apresentada no auge de sua glória e como suas tribulações começaram com a invasão dos citas, 626 a.C, pode ser sensato colocar esta profecia logo antes dessa invasão. Isso faz Naum contemporâneo de Sofonias, que também predisse a ruína de Nínive em linguagem admiravelmente vívida, Sf 2:13-15.

Nos seus três capítulos, Naum profetiza sobre a destruição de Nínive com minúcias. O fato de Deus ser tardio em irar-se, 1:3, pode ter sido mencionado como a lembrar a visita de Jonas a essa cidade, anos antes.

Habacuque (Hc): Habacuque queixa-se a Deus, por permitir que sua nação, em virtude de sua maldade, seja destruída por outra nação ainda mais perversa. O profeta não podia ver onde, no caso, havia justiça. Deus replicou-lhe que, nas conquistas aterrorizadoras dos exércitos dos caldeus, Ele tinha um propósito, cap. 1. Reconhecendo que Judá merecia castigo e correção por seus pecados, Habacuque procura mais esclarecimentos. Deus responde pela segunda vez, dizendo que o poderio caldaico, embriagado com o sangue das nações, será destruído por seu turno; e o povo de Deus ainda encherá a terra, cap. 2. No cap. 3 Habacuque ora a Deus, para que Ele torne a operar Suas maravilhas, como na Antigüidade. A lição do livro é: O homem viverá pela sua fé, 2:2-4. Assim, no meio de sua melancolia e desespero, Habacuque era, pela fé, um otimista de primeira ordem.

Sofonias (Sf): Ele profetizou poucos anos antes da condenação de Judá. Ele profetizou que está às portas “o dia da ira para Judá”. Este é chamado o grande dia do Senhor, que se menciona várias vezes. Dia de terror, prestes a sobrevir a Judá e às nações vizinhas, com referência à invasão babilônica e ao cativeiro de Judá, que se deram 20 anos adiante. Estas profecias também têm cumprimento simbólico de catástrofes e ocorrências no tempo do fim.

Sofonias tem grande percepção e profetiza a restauração, a bonança depois da tormenta, e o advento de uma “Linguagem Pura”. Três vezes o profeta fala de um remanescente que será poupado pelo “Dia do Senhor”; 2:3, 7; 3:12, 13. Também profetiza, por duas vezes, o regresso do cativeiro, 2:7; 3:20, com a adoção, no país, de uma linguagem pura, 3:9.

Ageu (Ag): Ageu, Zacarias e Malaquías devem ser lido em paralelo a Esdras, Neemias e Ester, pois pertencem ao período de após regresso do cativeiro; Ed 5:1. Pensa-se que Malaquías se associou a Neemias na reconstrução dos muros de Jerusalém. Após voltarem do cativeiro, a primeira providência tomada pelos judeus na restauração da vida nacional, em sua pátria, foi reedificar o Templo. Ageu e Zacarias ajudaram na construção do Templo.

O livro de Ageu contém quatro discursos muito breves. O capítulo 1 – Após os alicerces do Templo terem sido lançados, o povo caiu em desânimo. O Senhor, falando mediante Ageu, informa-os que nisso estava a razão de serem minguadas suas safras: “... por causa da minha casa, que permanece em ruínas, ao passo que cada um de vós corre por causa de sua própria casa”1:9b. Este é o mesmo princípio ensinado por Jesus: “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”; Mt 6:33.

A profecia de Ageu surgiu efeito, animando o povo a reconstruir. Dentro de 27 dias os velhos alicerces foram desobstruídos e se edificou o bastante para que se vissem os contornos e a configuração geral do edifício. A insignificância deste, comparada com a grandeza do Templo de Salomão, fez que os mais velhos, que tinham visto este, sentissem grande tristeza. Foi então que Ageu entrou em cena com a visão do futuro do Templo, com muito maior glória.

Zacarias (Zc): Enquanto parece que Ageu era já muito idoso, Zacarias aparentava ser muito jovem, visto que era neto de Ido. Já fazia 2 meses que Ageu pregava e a obra do Templo tinha começado, quando Zacarias entrou em cena. Eles cooperaram, sem dúvida, por 4 anos, exortando, animando, ajudando e trabalhando.

O livro de Zacarias apresenta abundantes traços, rápidos e brilhantes, do Messias, mencionando literalmente muitos pormenores da vida e obra de Cristo. Queremos destacar alguns capítulos deste livro:

Cap. 3: A visão do Sumo Sacerdote Jesua – É profético à obra expiatória de Cristo. Jesua, sumo sacerdote, está vestido de roupas sórdidas, que simbolizam a pecaminosidade do povo.As vestes sujas de Jesua são tiradas, significando que os pecados do povo são perdoados e este é aceito por Deus. É uma figura do tempo em que os pecados da humanidade seriam removidos “num só dia”, v. 9, quando o “renovo” que nasceria da Casa de Davi (o Messias) fosse transpassado, 12:10, e “uma fonte” fosse aberta para lavar os pecados, 13:1-3.

Cap. 4 e 6:9-15 – As “Duas Oliveiras” refere-se especialmente a Jesua e a Zorobabel. A Coroação de Jesua é um ato profético e simbólico, que amplia a visão do “Renovo” e a visão a respeito de Zorobabel. “Renovo” era o nome do Messias vindouro, da família de Davi a chamar-se “Nazareno” (Mt 2:23); Is 4:2; 11:1, 10. Já o Governador Zorobabel era, naquela época, o representante vivo da família de Davi, mediante quem tinham prosseguimento as promessas messiânicas. Era neto do rei Joaquim (Jeconias), que fora levado para Babilônia, e era herdeiro do trono de Davi.

Deus havia reservado a tarefa de edificar a Sua Casa ao próprio Davi, ao qual dera a planta (1 Cr 28:11, 19). Salomão, filho de Davi, edificou o Templo segundo suas especificações, 2 Cr 2:7. Zorobabel, descendente de Davi, estava então ocupado em reconstruí-lo. O profeta Zacarias garantiu-lhe que o acabaria, 4:6-9, dando-lhe a entender, profeticamente, que ainda outro templo seria edificado pelo “Renovo”, com o auxílio de muitos “que estão longe”, 6:12-15. Isso profetiza a respeito da Igreja de Cristo, formada de Judeus e Gentios, que é o lugar de habitação de Deus, em espírito; Ef 2:11 – 22 1 Pe 2:5, 9, 10.

- Malaquias (Ml): Um restante voltara do cativeiro, 538 a.C. Sob a direção de Ageu e Zacarias reedificaram o Templo, 520-516 a.C. Sessenta anos depois, 458 a.C., Esdras viera de Babilônia a Jerusalém para ajudar a reorganizar e a estabelecer a nação. 13 anos mais tarde, em 444 a.C., veio Neemias e reconstruiu os muros.

De sorte que, no tempo de Malaquias, os judeus já tinham voltado de Babilônia fazia uns 100 anos, curados, pelo cativeiro, de sua idolatria, mas inclinados a negligenciar a Casa de Deus. Os sacerdotes tinham-se tornado relaxados e degenerados. Os sacrifícios eram de qualidade inferior. Negligenciavam os dízimos. O povo voltara ao seu velho costume de misturar-se pelo casamento com os vizinhos idólatras. O povo estava em um estado de letargia mental, aguardando a vinda do Messias prometido. Começaram a duvidar do amor de Deus. Diziam que o praticante do mal era bom aos olhos do Senhor. Argumentavam que não havia proveito na obediência aos Seus mandamentos e em andar em santidade.

O profeta Malaquias, então, começou a responder-lhes, mostrando-lhes que tais pensamentos se baseavam na hipocrisia. Malaquias condenou os pecados e convocou o povo para que se arrependesse. Caso purificassem sua adoração, obedecessem à Palavra do Senhor e pagassem seus dízimos na íntegra, então o resultado seria as bênçãos de Deus.

Deus é o majestoso Senhor dos Exércitos; Seus decretos e juízos são irrevogáveis; Seu amor é santo e irrevogável. Ele acaba suas profecias dizendo que o Senhor enviaria novamente o profeta Elias, antes que viesse o dia do Senhor: “... ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha e fira a terra com maldição”cap. 4.

 

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