01. A Verdadeira Origem da Festa de Natal

Havia algo de estranho no ar, naquele dia de 25 de dezembro de 755, ano da fundação de Roma. Na província romana da Judéia, onde hoje se assenta o Estado de Israel, há séculos, o povo esperava o Messias, aquele que iria redimir os judeus, livrá-los da dominação estrangeira e dos pecados. No dia 25 de dezembro de 755, uma estrela brilhou muito forte sobre a Judéia, indicando aos três reis magos do Oriente o local exato do nascimento do Messias, Jesus Cristo, O Rei dos judeus. E “O verbo se fez carne”, segundo o evangelho e S. João Cap. 1:14. O nascimento se deu num estábulo de um casal pobre, Maria e José, tendo a assistência mais simples que se possa imaginar: pastores e animais domésticos.

Tendo, pois, nascido Jesus em Belém da Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos chegaram do Oriente a Jerusalém dizendo: ”Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Por que nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo”, Mat. 2:1-2.

Este é o Evangelho segundo Mateus e é justamente ai que começam os problemas. Mateus não diz que eram “reis magos”, diz apenas “magos”, que significa poderosos. Poderiam ser reis, governadores, prefeitos de alguma região do Império Romano ou diplomatas do Oriente de passagem por Jerusalém da Judéia. Também não diz se eram “três”.

Mateus teve seu Evangelho escrito somente entre 80 a 85 d.C. (depois de Cristo), isto é, mais de meio século depois que o Messias já tinha morrido. Somente no século VI é que os bispos católicos começam a dizer que são “três” magos e estabelecem que são três, baseado nos presentes ofertados: a mirra - uma resina utilizada no sepultamentos como perfume do ambiente; o incenso - símbolo de divindade e  o ouro, símbolo de realeza.

DATA INCERTA

Também, o estabelecimento da data do nascimento de Jesus Cristo no dia 25 de dezembro de 755 da fundação de Roma é pura especulação. A Bíblia Sagrada nada diz sobre a data exata do nascimento de Jesus. Tanto é assim que nos três primeiros séculos da fé cristã, os bispos da Igreja Católica comemoravam em data diferentes o nascimento do Messias.

Em verdade, sequer se comemorou, até o ano 200 d.C., o nascimento de Jesus, pois aniversário era considerado pêlos cristãos uma festa pagã, típica das religiões contrárias ao Cristianismo. O verdadeiro cristão, nos dois primeiros séculos d.C., não comemoravam nem o seu aniversário nem o natalício de Jesus. Daí a imprecisão da data, pois a data em que Jesus nasceu, não interessava ao verdadeiro cristão. E, até o século XVII os puritanos ingleses e americanos proibiam festa natalinas.

No ano 200 d.C., entretanto, começa a se fazer menção de uma primeira comemoração de aniversário do nascimento de Jesus. Assim mesmo, no dia 6 de janeiro e não no dia 25 de dezembro. Como a data era imprecisa, os católicos do Egito comemoravam no dia 6 de  janeiro e muitas igrejas ortodoxas orientais, celebravam neste dia o provável nascimento de Jesus. Somente nos anos de 336 d.C. falou-se em Natal no dia 25 de dezembro. Mesmo assim, para desespero dos cristãos ortodoxos, pois, como teólogo Orígene relata, não devia festejar o nascimento de Jesus “como e fosse um faraó”. A religião cristã primitiva era extremamente mórbida, pois só se celebrava a morte (já que Jesus morreu) e não admitia festa de nenhum tipo, a partir da constatação de que, depois que o mundo religioso e pagão matou o Filho de Deus, seu destino na terra era expiar este supremo sacrilégio.

ORIGEM PAGÃ

Contudo, enquanto o Cristianismo combatia as festas, a alegria era uma marca registrada em Roma e das cortes orientais. Se continuasse nessa linha, a nova religião ia perder espaço para outras seitas. Principalmente para o Mitraismo, um culto solar de origem persa, sincretizado com divindades gregas, que obtinha cada vez mais adeptos entre os soldados das legiões romanas e até mesmo imperadores seguiam Mitra, ameaçando a sobrevivência física dos cristãos, como Juliano Augusto (361-362 d.C.) que restaurou os deuses grego-persas como religião do Estado.

A principal festa do Mitraísmo era o “Natalis Invictis Solis” (Natal Vitorioso do Sol ou Nascimento do Vitorioso Sol) pois, segundo os textos sagrados daquela religião, Mitra tinha nascido de um impacto de um raio celestial sobre uma rocha no dia 25 de dezembro sob a assistência de pastores de seus animais (como se vê, existem muitas “coincidências” com o Cristianismo, ainda mais com a lenda de Mitra é anterior em seus acontecimentos, ao nascimento de Jesus.

No dia 25 de dezembro, os adeptos de Mitra festejavam ruidosamente matando bois ( o deus deles era sempre representado matando um touro que interpusera em seu caminho na terra) e bebiam desbragadamente. As principais virtudes de Mitra eram a coragem e o autocontrole. Quer dizer, uma religião que tinha tudo a ver com soldados, resolve adotar, no século IV, vários “ministérios” (líderes) do Mitraismo para atrair adeptos. A preocupação ainda era maior pelo fato de que, o mesmo 25 de dezembro era dia de festejos em Roma, com a Saturnália, que comemorava o solístico de Inverno e, na Roma Germânica, celtas e germânicos celebravam no dia 25 o dia mais escuro do ano, passando a noite em bebedeiras rezando pela volta da luz do sol.

Diante disto, a Igreja não teve outro caminho senão “cristianizar” a data, estabelecendo que o nascimento de Cristo não seria mais comemorado nem a 6 de janeiro nem a 25 de março. No ano de 400, São Leão I, “O Grande” , oficializou o dia 25 de dezembro como o Natal de Jesus, com festa de caráter cristão, que começasse a empanar o brilho dos festejos “pagãos”.

Como se vê, o nascimento de Jesus, tanto em termos bíblicos, como em termos histórico-científico é quase impossível de se precisar, pois os cristãos eram contra a festa de aniversário, por isso, não se interessaram em registrar o verdadeiro dia do nascimento do Messias. E o 25 de dezembro é apenas uma data referencial, tirada de cultos pagãos antigos. Tendo partido de algumas dezenas de adeptos no início de sua fé, o Cristianismo é, hoje, a maior religião do mundo (somando-se católicos e protestantes), sendo seguido, de longe, pelo Islamismo e outros credos.

BIBLIOGRAFIA:

1. ENCYCLOPEDIA BRITÂNICA

2. ENCYCLOPEDIA DELTA LAROUSE

3. JULIANO, GORE VIDAL

4. BIBLIA SAGRADA 

Transcrito do Jornal “A Tarde” - Salvador (BA) de 09.12.87

(*) Para um maior aproveitamento deste tema, recomendamos a leitura criteriosa do livro “Quando Jesus Nasceu?” composto e impresso na Gráfica Portinho Cavalcante Ltda. Rua Santana, 136/138 – Rio de Janeiro, RJ. – Autor: Adiel Almeida de Almeida.

(.) Col. do Texto: Dr. Paulo Barreto   
paulo.orto2@terra.com.br

 

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